Morre médico e ativista italiano Gino Strada

Médico ajudava vítimas de guerra e atuava no combate à Covid

Gino Strada dedicou sua vida a cuidar de pessoas vítimas das guerras, de minas terrestres e da pobreza
Gino Strada dedicou sua vida a cuidar de pessoas vítimas das guerras, de minas terrestres e da pobreza (foto: ANSA)
14:37, 13 AgoROMA ZGT

(ANSA) - Morreu nesta sexta-feira (13), aos 73 anos, o médico e fundador da ONG Emergency, Gino Strada, informa a família. A causa do óbito não foi informada.

O ativista, nascido em Sesto San Giovanni em 1948, era muito conhecido na Itália por ter fundado a organização, ao lado da esposa Teresa Sarti, em 1994. Sarti faleceu em 2009.

A entidade, que se tornou global, tem como foco oferecer tratamentos e cirurgias gratuitas para vítimas de guerra, de minas terrestres e da pobreza. Conforme dados do grupo, mais de 11 milhões de pacientes em 19 países foram tratados desde sua fundação.

A decisão por fundar uma ONG voltada para esses pacientes veio da própria experiência de vida de Strada, que trabalhou entre os anos de 1989 e 1994 com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Por meio da organização, ele trabalhou em diversas zonas de conflito, como Paquistão, Bósnia e Herzegovina, Afeganistão e Somália.

Na manhã desta sexta-feira, inclusive, foi publicado seu último artigo pelo jornal "La Stampa", onde Strada comentava a situação no Afeganistão, que está vivendo uma nova onda de conflitos com o grupo terrorista Talibã conquistando dezenas de cidades em apenas uma semana após a saída dos Estados Unidos do território.

A ONG também teve papel importante no combate à pandemia de Covid-19 ao fechar um acordo com o governo da Calábria, região italiana que está sob intervenção de Roma desde 2009 devido a dívidas e a infiltração do crime organizados em gestões anteriores do governo. Pelo pacto, a Emergency passou a administrar hospitais de campanha para pacientes da doença em toda a região.

Strada sempre foi uma voz ativa e mostrou posicionamentos muito contundentes contra a corrupção nos governos italianos, especialmente, na área da saúde; era um crítico feroz da gestão da crise migratória pela União Europeia pela falta de cuidado humano; e também fazia muitas críticas sobre as omissões e aos interesses econômicos no caso das guerras e da venda internacional de armas. (ANSA).
   

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