Estudos descobrem nova via de entrada do coronavírus no corpo

Segundo pesquisas, o vírus usa um mecanismo semelhante ao Mers

Duas pesquisas na Itália mostraram que coronavírus usa mecanismo semelhante ao Mers
Duas pesquisas na Itália mostraram que coronavírus usa mecanismo semelhante ao Mers (foto: ANSA)
08:49, 01 AbrROMA ZGT

(ANSA) - Dois estudos do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) descobriram que o novo coronavírus (Sars-CoV-2) tem uma segunda via de entrada nas células do corpo humano, além da conhecida Ace2: o receptor de ácido siálico, presente nos tecidos das vias aéreas altas.

O receptor é usado também por outro vírus, o Mers-CoV, que causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, que também provocou uma epidemia em 2012. Segundo as pesquisas, depois que o Sars-CoV-2 entra no organismo para reproduzir-se, ele usa diversas proteínas, entre as quais, algumas comuns do vírus da imunodeficiência humana (HIV).

A descoberta feita pelos estudos, que ainda precisam de mais testes para serem confirmados pela comunidade científica, abre novas possibilidade sobre o nível de contágio do novo coronavírus e sobre o uso de novos medicamentos.

"Nós desenvolvemos um novo modelo preditivo para entender como as proteínas na superfície do vírus interagem com os receptores humanos", explica o diretor do IIT, Giancarlo Ruocco.

No primeiro estudo, feito na capital italiana com o apoio da Universidade Sapienza, os pesquisadores analisaram as interações da proteína Spike, com a qual o vírus conecta o receptor Ace2 (o mesmo usado como alvo pelos medicamentos da família sartan e anti-hipertensivos), e confrontaram a sua capacidade de permanecer conectado. Com surpresa, os estudiosos viram que essa capacidade era muito inferior àquela do vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars). Por isso, tiveram a ideia de buscar um segundo receptor envolvido.

"Assim, nós descobrimos que para entrar na célula, o vírus Sars-CoV-2 também usa o ácido siálico, presente nas vias respiratórias, e usado pelo vírus Mers", diz ainda Ruocco.

Conforme o pesquisador, agora é preciso entender se a diferente mortalidade e infecciosidade da Covid-19 depende desses dois caminhos de entrada. "Isso poderá esclarecer porque há tantos casos assintomáticos, mas essa é só uma hipótese que deve ser confirmada, assim como os resultados do estudo", esclarece ainda o italiano.

Já a outra pesquisa, coordenada pelo diretor do IIT de Gênova, Gian Gaetano, descobriu que parte da proteína Spike que interage com o receptor do ácido siálico muda muito entre as várias cepas de vírus, o que poderia explicar as grandes diferenças de comportamento da doença observadas nas diversas populações. Também analisou como o vírus age quando entra na célula e começa a se reproduzir.

"Nós vimos assim que, além de se servir de algumas proteínas já conhecidas e comuns em outros vírus, que ele pega algumas outras específicas. Nessas últimas, uma dezena são compartilhadas com o vírus do HIV", precisa Tartaglia.

A sugestão dos pesquisadores é "tentar usar, entre os antivirais desenvolvidos nos últimos anos contra o HIV, aqueles que agem de maneira pontual em cima dessas proteínas. Também nesse caso, os dados precisam ser confirmados, e esperamos que a nossa publicação chegue aos termos científicos e que receba comentários úteis para compreensão", finaliza. (ANSA)

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