Primeiro paciente curado do HIV morre de leucemia

Timothy Ray Brown estava livre do vírus havia 12 anos

Timothy Ray Brown tinha 54 anos de idade
Timothy Ray Brown tinha 54 anos de idade (foto: Reprodução/Twitter)
11:30, 30 SetROMA ZLR

(ANSA) - O americano Timothy Ray Brown, primeira pessoa curada do vírus HIV, morreu de câncer.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30) pela Sociedade Internacional de Aids (IAS), que disse que Brown, 54 anos, faleceu de leucemia. O americano havia sido diagnosticado com câncer em 2006, ainda antes de derrotar o HIV, e, segundo a IAS, convivia "nos últimos seis meses com uma recaída da leucemia".

"Em nome de todos os seus membros, a IAS manda suas condolências para o parceiro de Timothy, Tim, e para sua família e seus amigos", disse a presidente da entidade, Adeeba Kamarulzaman.

Brown escreveu uma página inédita na história da medicina e se tornou símbolo de esperança para dezenas de milhões de pessoas infectadas pelo vírus causador da Aids. Diagnosticado em 1995, quando estudava em Berlim, o americano se livrou do HIV em 2008, após um tratamento inovador.

Para tentar curá-lo tanto da Aids quanto da leucemia, câncer que afeta a medula óssea e as células sanguíneas, um médico da Universidade Livre de Berlim, Gero Hutter, decidiu destruir a medula óssea de Brown e submetê-lo a um transplante de células-tronco de um doador com uma rara mutação genética que lhe dava resistência ao HIV.

Após dois procedimentos perigosos e dolorosos, Brown foi declarado curado das duas doenças. O HIV nunca mais voltou, mas a leucemia apareceu novamente no início deste ano, afetando também seu cérebro.

Inicialmente, o americano ficou conhecido como "paciente de Berlim" para preservar seu anonimato, mas, em 2010, ele decidiu revelar sua identidade. "Eu sou a prova viva de que pode existir uma cura para a Aids", disse Brown em entrevistas após se revelar ao público.

No início de 2019, um segundo paciente do HIV foi declarado curado, Adam Castillejo, que foi submetido a um tratamento semelhante. A terapia é considerada cara e inviável para ser aplicada em larga escala, mas abriu as portas para uma possível cura definitiva para o vírus da Aids. (ANSA)

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