Embaixador do Brasil em Roma ironiza ideia de produzir soja na UE

Proposta foi feita no início do ano pelo presidente Macron

Protesto do Greenpeace em Bruxelas culpa importações da União Europeia por destruição de florestas
Protesto do Greenpeace em Bruxelas culpa importações da União Europeia por destruição de florestas (foto: EPA)
09:31, 02 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O embaixador do Brasil em Roma, Hélio Ramos, participou nesta terça-feira (2) de uma audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Itália e ironizou a proposta do presidente da França, Emmanuel Macron, de aumentar a produção de soja na Europa.

O diplomata foi convidado para falar sobre a "perspectiva brasileira" para a presidência italiana no G20, grupo que reúne 19 das maiores economias do mundo e a União Europeia, e aproveitou para rebater críticas recorrentes no bloco sobre as políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro.

"A soja brasileira ocupa apenas 1% do bioma amazônico. Toda a produção brasileira de soja tem controle de origem. Recentemente, ouvi propostas curiosas, diria até excêntricas, sobre a expansão da produção de soja ou carne na Europa, de forma a evitar importações que, supostamente, incentivariam o desmatamento na Amazônia", disse Ramos.

A referência é a uma declaração de Macron no início do ano, quando o presidente francês afirmou que depender da soja brasileira significa "endossar" a devastação da Floresta Amazônica.

"Além de ser fundada sobre falsas premissas, tais propostas levariam a um aumento do desmatamento no velho continente, para plantar em terras com menor produtividade e maior impacto ambiental, agravando a situação de uma das regiões mais desmatadas do mundo", acrescentou o embaixador.

Segundo o diplomata, esse proposta mascara "interesses setoriais e o velho protecionismo, associados a novas tendências de soberanismo alimentar nos países desenvolvidos". Além disso, Ramos garantiu que a agropecuária brasileira é "sustentável" e que o país está "plenamente empenhado" com o Acordo de Paris sobre o clima.

De acordo com o Instituto Imazon, o desmatamento na Amazônia cresceu 30% em 2020, na comparação com 2019, e chegou ao maior patamar em uma década. Além disso, o Brasil registrou 222.798 focos de queimadas no ano passado, alta de 12,7%, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Considerando apenas o Pantanal, o crescimento nos incêndios foi de 120%, enquanto na Amazônia a alta foi de 15,7%. Quando acontecem de forma dolosa, queimadas florestais costumam ser operações de limpeza para preparar o solo para futuros plantios ou criação de gado.

A crise ambiental nos dois biomas provocou críticas ao governo Bolsonaro no exterior e colocou em risco a ratificação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. (ANSA)

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