Desmatamento em março na Amazônia é maior em 10 anos, diz Imazon

Relatório chega às vésperas de cúpula climática mundial

Incêndios na Amazônia colocaram Bolsonaro na mira da comunidade internacional
Incêndios na Amazônia colocaram Bolsonaro na mira da comunidade internacional (foto: EPA)
11:19, 19 AbrSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Às vésperas da cúpula climática convocada pelos Estados Unidos, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou que a floresta registrou o maior desmatamento para o mês de março nos últimos 10 anos.

De acordo com boletim divulgado nesta segunda-feira (19), a destruição na Amazônia Legal totalizou 810 quilômetros quadrados no mês passado, um aumento de 216% em relação a março de 2020.

A derrubada se concentrou sobretudo no Pará, com 35% do total, seguido por Mato Grosso (25%), Amazonas (12%), Rondônia (11%), Roraima (8%), Maranhão (6%), Acre (2%) e Tocantins (1%).

"O acumulado de janeiro a março em 2021 [1.185 quilômetros quadrados] também apresenta recorde de desmatamento: o total desmatado é o maior da série de 10 anos, mais do que o dobro do registrado em 2020", diz o Imazon, que utiliza uma ferramenta de monitoramento baseada em imagens de satélites e chamada Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).

Já a degradação na Amazônia, que mede o "distúrbio parcial provocado pela extração de madeira ou por incêndios", totalizou 64 quilômetros quadrados em março, crescimento de 156% em relação ao mesmo período de 2020.

O relatório chega em meio às negociações entre os governos de Brasil e Estados Unidos para um financiamento bilionário contra a devastação da Amazônia.

Em carta a seu homólogo Joe Biden, o presidente Jair Bolsonaro se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030, mas o enviado especial dos EUA para o clima, John Kerry, cobrou "ações imediatas" e "engajamento com a população indígena e a sociedade civil" para que a promessa se transforme em "resultados concretos".

A proteção da Amazônia deve ser tema da cúpula de líderes convocada por Biden para discutir a crise climática, em 22 e 23 de abril. (ANSA)

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