É preciso agir agora, diz Draghi em cúpula climática

Premiê italiano discursou em evento convocado por Joe Biden

O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi
O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi (foto: ANSA)
11:27, 22 AbrSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, afirmou nesta quinta-feira (22), na Cúpula de Líderes sobre o Clima, que é preciso "agir agora para não se arrepender" e elogiou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por romper com as políticas de Donald Trump.

Em seu pronunciamento, o premiê agradeceu ao atual mandatário americano por assumir a iniciativa de convocar uma reunião de líderes mundiais sobre a crise climática.

"Assim como a chanceler Merkel disse, é uma mudança completa. Agora estamos confiantes de que vamos vencer esse desafio juntos", declarou Draghi, em referência velada a Trump, que havia retirado os EUA do Acordo de Paris.

O primeiro-ministro afirmou que a pandemia do novo coronavírus não pode fazer perder de vista as outras crises enfrentadas pela humanidade, como as mudanças climáticas. "No Acordo de Paris, nos comprometemos em limitar o aquecimento global a 1,5ºC em comparação com os níveis pré-industriais, mas as ações que tomamos até agora se provaram insuficientes", disse.

Segundo Draghi, se as políticas atuais forem mantidas, o aquecimento médio do planeta será de 3ºC, o dobro da meta do Acordo de Paris. "Precisamos reverter o curso, e rápido", reforçou. De acordo com o premiê, os planos nacionais de recuperação pós-pandemia oferecem uma "oportunidade única de transformar nossas economias e buscar um crescimento mais verde e inclusivo".

Draghi citou o pacote de 750 bilhões de euros criado pela União Europeia para estimular a retomada econômica, do qual a Itália será a maior beneficiária em termos absolutos, com cerca de 210 bilhões de euros.

Um dos objetivos do plano é tornar a UE neutra em emissões de carbono até 2050. O premiê italiano prometeu usar 70 bilhões de euros a que seu país tem direito para investir em infraestrutura verde, economia circular e mobilidade sustentável.

"A Itália é um país belo, porém frágil. A luta contra as mudanças climáticas é uma luta por nossa história, uma luta por nossas paisagens. Precisamos direcionar nossos esforços para a sustentabilidade com uma abordagem multilateral e inclusiva", acrescentou.

A Itália exerce em 2021 a presidência do G20, cujos membros respondem por 75% das emissões de poluentes no mundo, e sediará em Milão um evento preparatório para a COP26, que acontece em Glasgow, na Escócia, em novembro.

"Resultados fortes no G20 vão impulsionar as chances de uma COP26 bem-sucedida", disse Draghi, que propôs uma reunião ministerial sobre clima e energia no âmbito do grupo, que reúne 19 países e a União Europeia. "Queremos agir agora para não nos arrepender depois", concluiu. (ANSA)

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