Após prometer duplicar recursos, Bolsonaro veta verba ambiental

Presidente havia prometido duplicar recursos para fiscalização

Bolsonaro says Brazil will seek carbon neutrality until 2050
Bolsonaro says Brazil will seek carbon neutrality until 2050 (foto: EPA)
13:03, 24 AbrSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Um dia após prometer ao mundo que dobraria o orçamento para fiscalização contra o desmatamento ilegal, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o Orçamento para 2021 com o veto de repasses de R$ 240 milhões ao Ministério do Meio Ambiente.

Os cortes vão afetar inclusive o Ibama (R$ 19,4 milhões) e o ICMBio (R$ 7 milhões) - os dois principais órgãos de fiscalização e proteção ambiental do governo federal -, além de ações de prevenção e controle de incêndios florestais (R$ 6 milhões).

A maior parte do montante vetado, cerca de R$ 203 milhões, dizia respeito a ações de melhoria da qualidade ambiental em áreas urbanas. Na última quinta-feira (22), na cúpula climática promovida pelo presidente dos EUA, Joe Biden, Bolsonaro havia dito que "duplicaria" a verba para fiscalização contra o desmatamento.

O orçamento do Ministério do Meio Ambiente já vem sendo reduzido paulatinamente nos últimos anos, bem como os repasses para o Ibama e ICMBio. Devido ao teto de gastos, o governo terá de cortar despesas de outros setores para aumentar os repasses para ações de fiscalização neste ano.

Em seu perfil no Twitter, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse ter pedido ao ministro da Economia, Paulo Guedes, uma suplementação orçamentária de R$ 270 milhões, sendo R$ 72 milhões para o ICMBio e R$ 198 milhões para o Ibama.

Também no Twitter, a ativista sueca Greta Thunberg ironizou o corte no orçamento ambiental promovido pela gestão Bolsonaro. "Ops, é quase como se nossos 'líderes climáticos' não estivessem levando isso a sério", escreveu.

A promessa do presidente de dobrar os recursos com fiscalização está ligada ao compromisso assumido apenas nos últimos dias de zerar o desmatamento ilegal até 2030, meta que já havia sido estabelecida por Dilma Rousseff na assinatura do Acordo de Paris, em 2015. (ANSA)

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