Após rumores, Bolsonaro desiste de demitir Mandetta

Ministro disse que teve as 'gavetas limpas' por assessores

Luiz Henrique Mandetta afirmou que fica no cargo durante coletiva de imprensa
Luiz Henrique Mandetta afirmou que fica no cargo durante coletiva de imprensa (foto: ANSA)
07:25, 07 AbrSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Na polêmica desta segunda-feira (06) em Brasília, o presidente da República, Jair Bolsonaro, desistiu de demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Quem confirmou a permanência foi o próprio ministro durante uma coletiva de imprensa.

"Hoje foi um dia que rendeu muito pouco trabalho aqui no Ministério. Ficou todo mundo com a cabeça meio avoada, sem saber se eu ia permanecer, se eu ia sair. Agradeço a muitos que vieram em solidariedade: 'Se você sair, saímos juntos'. Gente limpando gaveta, até as minhas gavetas vocês ajudaram a fazer a limpeza. Nós vamos continuar, porque continuando a gente vai enfrentar o nosso inimigo. O nosso inimigo tem nome e sobrenome. É o Covid-19", disse o ministro, que foi aplaudido por funcionários do Ministério ao entrar na sala de coletiva.

Segundo Mandetta, sua missão agora é focar na proteção da sociedade.

"Médico não abandona paciente. Eu não vou abandonar. Agora, as condições de trabalho que os médicos precisam têm que ser para todos. Eu vou tentar trazer as melhores condições para vocês na ponta. E a única coisa que a gente está pedindo é que nós tenhamos o melhor ambiente para trabalhar dentro do Ministério da Saúde", disse em uma clara indireta ao presidente.

Mandetta voltou a pedir para a população manter o isolamento social, que Bolsonaro tanto critica, para evitar uma rápida disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) e reforçou os cuidados que todos devem ter para enfrentar a pandemia do melhor jeito possível.

A relação entre o presidente e o ministro vem se deteriorando há semanas. Um dos fatos é que Mandetta segue mantendo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) em detrimento do que Bolsonaro gostaria - um amplo relaxamento do isolamento, só deixando em casa as pessoas dos grupos de risco. (ANSA)

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