Ministro do STF dá 5 dias para PF tomar depoimento de Moro

Celso de Mello determinou que ex-ministro apresente provas

Celso de Mello determinou que ex-ministro apresente provas
Celso de Mello determinou que ex-ministro apresente provas (foto: EPA)
12:24, 01 MaiSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello determinou nesta quinta-feira (30) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro seja intimado para prestar depoimento à Polícia Federal (PF) no prazo de cinco dias.

Pela decisão, Moro deverá apresentar provas das acusações feitas na semana passada contra o presidente Jair Bolsonaro.

A oitiva será a primeira medida tomada no inquérito aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para apurar suposta tentativa de interferência na PF ou crime de denunciação caluniosa. O pedido para agilizar a data do depoimento foi feito por parlamentares da oposição.

Durante pronunciamento, Bolsonaro, por sua vez, negou que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

Ontem (30), em entrevista à revista Veja, Moro ressaltou que "o combate à corrupção não é prioridade do governo Bolsonaro" e de que apresentará suas provas "no momento oportuno, quando a Justiça solicitar".

"Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção", elencou Moro.

"É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d'água", acrescentou.

À publicação, o ex-ministro também revelou que nunca foi sua intenção ser algoz do presidente, mas não vai admitir ser chamado de mentiroso. Após as revelações de Moro, Bolsonaro foi alvo de novos pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados, além de ser investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal ao lado do ex-juiz da Lava Jato.

"O presidente tem muito poder, tem prerrogativas importantes que têm de ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas, na minha avaliação, arbitrariamente. Não teria nenhum problema em substituir o diretor da PF Maurício Valeixo, desde que houvesse uma causa, uma insuficiência de desempenho, um erro grave por ele cometido ou por algum de seus subordinados. Isso faz parte da administração pública, mas, como não me foi apresentada nenhuma causa justificada, entendi que não poderia aceitar essa substituição e saí do governo. É uma questão de respeito à regra, respeito à lei, respeito à autonomia da instituição", disse Moro, à Veja.

(ANSA - Com informações da Agência Brasil)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA