Em meio a protestos, Moro chega à sede da PF para depor

Ex-ministro mostrará provas de possível interferência política

14:28, 02 MaiSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro chegou por volta das 13h50 (horário local), deste sábado (2), na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba, para prestar depoimento no inquérito que investiga as acusações contra o presidente Jair Bolsonaro.

A previsão era que o depoimento começasse às 14h. No local, o ex-juiz federal, que será acompanhado de um advogado, foi recebido por um grupo de manifestantes contra e a seu favor. Na ocasião, houve princípio de tumulto, mas a Polícia Militar (PM) conseguiu conter os ânimos de pelo menos 100 pessoas, usando um cordão de isolamento.

Apesar da intervenção, um cinegrafista da RIC TV, afiliada Record, chegou ser agredido por um dos manifestantes. Eles estão reunidos com faixas, cartazes, carro de som e gritam palavras de ordem.

Moro será questionado sobre as acusações feitas por ele ao anunciar sua saída do governo, há uma semana. Na data, o ex-ministro disse que Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF e em inquéritos relacionados a familiares.

A oitiva será a primeira medida tomada no inquérito aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para apurar suposta tentativa de interferência na PF ou crime de denunciação caluniosa.

O pedido para agilizar a data do depoimento foi feito por parlamentares da oposição. A PGR será representada pelos procuradores João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita.

Pela decisão, Moro deverá apresentar provas das acusações feitas na semana passada contra o líder brasileiro.

Em entrevista à revista Veja, Moro ressaltou que "o combate à corrupção não é prioridade do governo" e de que apresentará suas provas "no momento oportuno". Isso incluiu áudios e inúmeras trocas de mensagens pessoais e de governo trocadas com Bolsonaro pelo WhatsApp.

Hoje cedo, em sua conta no Twitter, o presidente classificou Moro como “Judas” e relembrou o episódio em que foi esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018.

“Os mandantes estão em Brasília? O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse? Nada farei que não esteja de acordo com a Constituição. Mas também NÃO ADMITIREI que façam contra MIM e ao nosso Brasil passando por cima da mesma”, escreveu Bolsonaro. (ANSA)

 

 

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