Bolsonaro veta aprovação de vacina em 5 dias

Presidente justificou que medida ia contra o "interesse público"

Bolsonaro com o 'Zé Gotinha', em dezembro de 2020
Bolsonaro com o 'Zé Gotinha', em dezembro de 2020 (foto: ANSA)
10:20, 02 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Com o Brasil vivendo o pior momento da pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro vetou uma proposta aprovada pelo Congresso que permitia a liberação emergencial em até cinco dias de vacinas já aprovadas em determinados países.

O item havia sido incluído na medida provisória que formaliza a entrada do Brasil na Covax Facility, aliança patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para facilitar a distribuição de imunizantes anti-Covid para países em desenvolvimento.

O trecho vetado por Bolsonaro permitia a liberação em até cinco dias pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de vacinas aprovadas pelas agências regulatórias de Argentina, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Rússia ou União Europeia.

A medida facilitaria, por exemplo, a liberação da vacina russa Sputnik V, cobiçada no Brasil para driblar os atrasos na campanha de imunização do Ministério da Saúde, que até agora conta apenas com a chinesa Coronavac e a anglo-sueca Covishield.

Bolsonaro justificou que esse trecho da MP é uma "usurpação" das competências do presidente da República e contraria o "interesse público". As vacinas fornecidas pela Covax, no entanto, serão liberadas automaticamente para uso no Brasil.

Até o momento, segundo a plataforma "Covid-19 no Brasil", apenas 2 milhões de pessoas receberam as duas doses da Coronavac ou da Covishield, o que equivale a menos de 1% da população nacional.

Considerando somente a primeira dose, quase 7 milhões de cidadãos foram imunizados. Paralelamente, o Brasil vive seu pior momento na pandemia, com UTIs em colapso em vários estados e recordes consecutivos na média de mortes. (ANSA)

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