Dallagnol diz em áudio que juíza se comprometeu a condenar Lula

Hardt condenou Lula na ação sobre o sítio em Atibaia em 2019

Hardt condenou Lula na ação sobre o sítio em Atibaia em 2019
Hardt condenou Lula na ação sobre o sítio em Atibaia em 2019 (foto: EPA)
19:10, 04 MarSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um áudio no qual o ex-coordenador da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol, diz ter conversado com a juíza Gabriela Hardt, substituta do então juiz Sérgio Moro, sobre o caso do petista.

Na gravação, divulgada nesta quinta-feira (4) pelo portal de notícias UOL, Dallagnol conta que encontrou Hardt e aproveitou para perguntar sobre o processo do sítio de Atibaia (SP), em que o ex-líder era réu, e ouviu que o caso seria sentenciado, o que de fato aconteceu menos de um mês depois.

"Falei com a Gabriela [Hardt]. A Gabriela é...perguntei dos casos, né? Perguntei primeiro do caso do sítio, se ela ia sentenciar", diz o procurador em um dos áudios.

Na conversa, Dallagnol ressalta que a juíza explicou que tinha mais "500 casos conclusos pra decisão", mas afirmou que iria sentenciar Lula.

"Ela disse que vai sentenciar o caso do sítio, mas o outro ela não tem a menor condição de sentenciar. E já abriu hoje o edital de remoção, hoje mesmo dia 10, e vai estar encerrado dia 22", diz ele no áudio, acrescentando que "certamente" ficaria para o "próximo juiz".

Segundo a defesa do ex-presidente, "os procuradores queriam a qualquer custo impor nova condenação" a Lula. "E a pressão foi atendida com a sentença".

Hardt condenou Lula, no dia 6 de fevereiro de 2019, a 12 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do Sítio de Atibaia, no qual o petista era acusado de ter recebido cerca de R$1 milhão em propinas via reformas.

O imóvel está em nome de Fernando Bittar, filho do amigo de Lula e ex-prefeito de Campinas, Jacó Bittar. O ex-presidente nega a acusação.

As gravações foram extraídas de mensagens trocadas entre representantes do Ministério Público Federal e obtidas por meio de um ataque hacker, alvo da operação Spoofing, da Polícia Federal. (ANSA)

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