Boulos é intimado pela PF por fazer postagem contra Bolsonaro

Segundo órgão, ação foi aberta a mando do Ministério da Justiça

Boulos foi intimado pela PF por postar crítica a Bolsonaro no Twitter
Boulos foi intimado pela PF por postar crítica a Bolsonaro no Twitter (foto: EPA)
08:39, 22 AbrSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), foi intimado nesta quarta-feira (21) pela Polícia Federal por ter feito uma postagem contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Segundo o órgão, o inquérito foi aberto "a mando do Ministério da Justiça" com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) - promulgada no fim da ditadura militar.

Em 20 de abril de 2020, Bolsonaro falou a apoiadores a frase "Eu sou a Constituição" ao comentar sobre sua participação, um dia antes, em um ato que pedia uma nova intervenção militar no país e o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

No Twitter, Boulos escreveu "Um lembrete para Bolsonaro: a dinastia de Luís XIV terminou na guilhotina...", em referência à célebre frase do monarca francês "O Estado sou eu".

Pela mesma rede social, nesta quarta-feira, o político do PSOL anunciou a intimação da PF. "Fui intimado pela PF na Lei de Segurança Nacional por um tuíte sobre Bolsonaro. A perseguição deste governo não tem limites. Não vão nos intimidar!", escreveu.

Em nota oficial, Boulos reiterou o que havia escrito no Twitter e afirmou que "a frase proferida por Bolsonaro [...] ela sim representa uma ameaça às instituições e à ordem constitucional no nosso país".

A LSN foi criada em 1983 - cinco anos antes da Constituição de 1988 - e vem sendo usada amplamente pelo governo Bolsonaro contra críticos de qualquer vertente política. Segundo um levantamento pelo jornal "O Estado de S. Paulo", houve um aumento de 285% no uso da legislação nos dois anos iniciais do governo do atual presidente na comparação com os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer (2015-2018).

Atualmente, a Câmara dos Deputados já colocou em questão de urgência uma nova legislação que substitui a LSN, considerada um resquício da ditadura e que inclui como crimes fazer críticas ao presidente da República, da Câmara, do Senador e do STF. (ANSA).
   

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