Cidades registram panelaços durante pronunciamento de Bolsonaro

Presidente falou sobre investimentos e vacinação em discurso

Bolsonaro fez pronunciamento em rede nacional e panelaços foram registrados pelo país
Bolsonaro fez pronunciamento em rede nacional e panelaços foram registrados pelo país (foto: EPA)
08:12, 04 JunSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Dezenas de cidades brasileiras registraram panelaços e protestos durante o pronunciamento em rede nacional do presidente Jair Bolsonaro na noite desta quarta-feira (2). Os maiores ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Florianópolis, Fortaleza e Distrito Federal.

O mandatário fez o discurso no dia que o governo entregou 100 milhões de doses de vacinas anti-Covid e, mais uma vez, Bolsonaro usou o dado de maneira equivocada. "O Brasil é o quarto país que mais vacina no planeta. Neste ano, todos os brasileiros que assim o desejarem, serão vacinados, vacinas essas que foram aprovadas pela Anvisa", disse na fala.

No entanto, usar o dado total de doses liberadas pode causar confusão, já que a compra é sempre relativa à quantidade da população - 100 milhões, por exemplo, é quase a totalidade das vacinas que a Itália precisará comprar, já que tem uma população de 59 milhões de pessoas. O Brasil tem mais de 211 milhões de habitantes.

Conforme dados do portal Our World in Data, o país aplicou 32,4 doses a cada 100 mil habitantes, o que o coloca na 64ª posição do ranking mundial. Já a quantidade de pessoas totalmente imunizadas, ou seja, que receberam as duas doses, corresponde a cerca de 22,6 milhões de cidadãos, pouco mais de 10% dos moradores.

No discurso, o presidente voltou com sua fala contrária às regras sanitárias de distanciamento social para combater o coronavírus Sars-CoV-2, destacando que o governo federal "não obrigou ninguém a ficar em casa, não fechou o comércio, não fechou igrejas ou escolas".

As medidas de isolamento social foram determinadas apenas por governadores e prefeitos, já que o governo de Bolsonaro nunca quis parar a economia para proteger a vida das pessoas.

A fala do presidente ainda citou a vinda da Copa América para o Brasil, após Colômbia e Argentina desistirem de sediar a competição por conta de uma crise política e social no primeiro e o avanço da pandemia de Covid-19 no segundo.

A maior parte do pronunciamento focou em ações econômicas, como a aprovação de um programa para ajudar empresas de pequeno e médio porte, a privatização de estatais e até a continuidade das obras de transposição do Rio São Francisco.

Além dos protestos nas cidades, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Covid-19, o senador Omar Aziz (PSD/AM), publicou uma nota assinada por membros e suplentes da CPI criticando o pronunciamento.

"A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de 'gripezinha'. Atraso de 432 dias e a morte de 470 mil brasileiros, desumano e indefensável. A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população", começa o comunicado.

Os senadores, com exceção dos governistas, afirmam que o governo de Bolsonaro optou "por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19".

"A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas", finalizam os senadores. (ANSA).
   

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