À CPI, ministro da Saúde diz que não é 'censor' de Bolsonaro

Queiroga, porém, se disse contrário ao uso da cloroquina

Queiroga disse que não faz juízo de valor sobre presidente (foto: EPA)
18:33, 08 JunSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - Em seu segundo depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a pandemia de Covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira (8) que "não é censor" do presidente Jair Bolsonaro e evitou fazer críticas à postura do mandatário.

Bolsonaro quase sempre aparece sem máscara em público e promove aglomerações com frequência com seus apoiadores.

"Sou ministro da Saúde, não um censor do presidente da República. As recomendações sanitárias estão postas e cabe a todos aderir a essas recomendações. Não me compete julgar os atos do presidente da República. Já falei com ele, mas isso é um ato individual", desconversou.

Após o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB/AL), mostrar um vídeo de uma das aglomerações de Bolsonaro, Queiroga afirmou que "as imagens falam por si só", mas que não ia "fazer juízo de valor sobre o presidente".

Durante a audiência, porém, o ministro voltou a se posicionar contra o chamado "tratamento precoce", que envolve o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina. Bolsonaro vive alardeando que a droga deve ser tomada por quem contrai o coronavírus Sars-CoV-2.

Nesse momento, inclusive, os senadores governistas disseram que discordavam do ministro e que o "tratamento precoce" era fundamental. O médico voltou a dizer que não há comprovação científica sobre esses medicamentos.

Já sobre as vacinas, Queiroga se comprometeu a vacinar contra a doença toda a população com mais de 18 anos no Brasil até o fim deste ano. Ao ser pressionado por diversos senadores sobre qual o cronograma exato da vacinação, o ministro afirmou que enviaria para o Senado a documentação e que não tem como detalhar as entregas porque dependem dos envios de outros países.

Sobre a não compra até o momento de 30 milhões de doses extras da CoronaVac, a vacina da Sinovac Biotech que é produzida no país pelo Instituto Butantan, Queiroga destacou que em conversa com o presidente da instituição, Dimas Covas, os dois acertaram que seria mais interessante aguardar pela ButanVac, o imunizante que está aguardando autorização para iniciar os estudos clínicos.

Representação

Durante a audiência da tarde, o senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE) afirmou que entraria com uma ação no Conselho de Ética contra outro senador da CPI, o gaúcho Luiz Carlos Heinze (PP/RS).

Segundo Vieira, seu colega apresenta repetidamente informações falsas sobre medicamentos ineficazes contra a Covid-19, especialmente a cloroquina, e sobre supostos estudos realizados que comprovam a eficácia da droga.

Em todos os depoimentos, Heinze sempre alega que há um "complô de grandes farmacêuticas" contra a cloroquina e até discorda de membros do governo, como no caso de Queiroga, que reiterou que não existe tratamento precoce contra a doença. (ANSA).
   

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA