Manifestantes voltam às ruas para pedir impeachment de Bolsonaro

Ato ocorre com Brasil perto de atingir 500 mil mortos por Covid

Protesto contra Bolsonaro no Rio de Janeiro (foto: Gabriel Bastos/Futura Press)
15:29, 19 JunSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Com o Brasil às portas de atingir a marca de meio milhão de mortes por Covid-19, manifestantes voltaram às ruas das principais cidades do país neste sábado (19) para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro e defender a vacinação.

Convocados por movimentos sociais e políticos, os atos denunciam a omissão do governo federal no combate à pandemia, incluindo a demora na compra de vacinas, a promoção de tratamentos de ineficácia comprovada contra a Covid-19, o incentivo a aglomerações e o desestímulo ao uso de máscaras.

Os protestos foram convocados em todos os estados e em capitais do exterior, exatas três semanas após a primeira onda de manifestações, em 29 de maio.

Líder nas pesquisas para 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia mantido distância dos atos do mês passado, mas desta vez se pronunciou e refutou comparações com as aglomerações promovidas por Bolsonaro.

"Fico feliz que o povo esteja brigando pelos seus direitos. E não adianta querer igualar as manifestações. Veja a diferença entre as manifestações contra o genocida e os atos promovidos por ele. Um lado usa máscara, álcool gel, o outro lado vai sem máscara e nega a vacina", disse o petista na última quinta-feira (17).

Buscando se viabilizar em uma disputa que se desenha polarizada entre Lula e Bolsonaro, o ex-presidenciável Ciro Gomes usou o Twitter na sexta (18) para demonstrar "apoio a todas as brasileiras e brasileiros que desejam ir à rua".

"Mas peço que o façam com duplo amor cívico: repúdio ao genocida e cuidado com a vida. Usem máscara, álcool em gel, protejam-se e protejam os outros. Não aceitem provocações nem manipulações. E não esqueçamos que o grande desafio é encontrar mecanismos - de apoio popular e parlamentar - que viabilizem o impeachment", disse.

Em Brasília (DF), os manifestantes começaram a se concentrar às 9h e iniciaram uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios, acompanhados por grupos indígenas. Além da vacinação e do impeachment de Bolsonaro, os ativistas pediram um auxílio emergencial de R$ 600.

Já no Rio de Janeiro, os manifestantes caminharam pelo centro da cidade em direção à Candelária. Além de cartazes com frases de ordem, as pessoas exibiram faixas com os nomes de parentes mortos pela Covid e culpando o presidente pelo atraso na compra de vacinas.

Com quase 500 mil mortes, o Brasil vive um momento de repique na pandemia e registrou 98.832 casos apenas na última sexta, enquanto as médias móveis de óbitos e contágios apresentam tendência de alta.

Das 9.221 mortes registradas no mundo na sexta, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, 2.495 ocorreram no Brasil, 27% do total.

CPI

A nova onda de protestos acontece um dia depois de a CPI da Covid-19 no Senado anunciar os primeiros 14 investigados na comissão, incluindo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e seu antecessor no cargo, Eduardo Pazuello, além de supostos membros do "gabinete paralelo" que aconselhava Bolsonaro no combate à pandemia.

Após ter ouvido os principais depoimentos, a CPI enfrenta uma fase de queda na repercussão, enquanto Bolsonaro, apesar dos baixos índices de aprovação, mantém o apoio de uma base fiel e mobilizada.

Ao mesmo tempo, o presidente já começou a lançar dúvidas sobre a eleição de 2022, imitando as táticas usadas pelo ex-mandatário dos EUA Donald Trump. Na última quinta, em sua transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro disse que o Brasil terá uma "convulsão" se não houver voto impresso, uma de suas obsessões.

Apesar disso, o presidente nunca apresentou nenhum indício de fraudes nas urnas eletrônicas. (ANSA)

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