Ministro da Saúde suspende compra da vacina Covaxin

Queiroga fez afirmação durante entrevista à emissora

Compra da Covaxin é alvo de inquérito do MPF e investigação da CPI
Compra da Covaxin é alvo de inquérito do MPF e investigação da CPI (foto: EPA)
17:53, 29 JunSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai suspender ainda nesta terça-feira (29) o contrato de compra de 20 milhões de doses da vacina anti-Covid Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech e que teve a venda intermediada pela Precisa Medicamentos.

A informação foi dada pelo próprio ministro para a emissora "CNN" e confirmada por outros veículos de imprensa do país. A princípio, o contrato ainda não seria cancelado.

A notícia surge no dia em que a Precisa encaminhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido para registro de uso emergencial do imunizante.

A compra da Covaxin, em contrato de R$ 1,6 bilhão, é alvo de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a Covid-19 por diversas irregularidades.

No órgão federal, há um inquérito que analisa várias questões referentes ao contrato, como a necessidade da Precisa intermediar a compra com o Ministério da Saúde, o fato dos sócios da empresa terem uma dívida de cerca de R$ 20 milhões com o próprio Ministério, o alto valor por dose (US$ 15), e a celeridade na assinatura do contrato, algo que não ocorreu com nenhuma outra empresa.

Uma das fontes ouvidas pelo MPF sobre supostos crimes é o servidor de carreira do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, que afirmou sofrer uma "pressão atípica" para acelerar a liberação da importação e para assinar um recibo que permitia um pagamento antecipado milionário.

Já no âmbito da CPI, a questão foi debatida com Luís Ricardo e seu irmão, o deputado Luís Miranda (DEM-DF), que afirmou que havia pressão do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), para acelerar o processo.

O deputado também informou que foi até o presidente da República, Jair Bolsonaro, para relatar as suspeitas de "irregularidades" encontradas por seu irmão no processo de compra.

Bolsonaro não negou a reunião, que teria ocorrido em 20 de março, mas se esquivou da questão e disse que "não tem como saber de tudo" que acontece em seus ministérios.

Porém, na noite desta segunda-feira (28), a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, encaminhou uma denúncia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de prevaricação do mandatário.

Nesta quarta-feira (1º), um dos sócios da Precisa, Francisco Maximiano, prestará depoimento aos senadores da CPI. (ANSA).
   

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