Governo Bolsonaro é alvo de nova denúncia sobre compra de vacinas

Diretor de ministério teria pedido propina de US$ 1 por dose

Jair Bolsonaro havia tentado nomear acusado de cobrar propina para cargo de diretor da Anvisa
Jair Bolsonaro havia tentado nomear acusado de cobrar propina para cargo de diretor da Anvisa (foto: EPA)
12:48, 30 JunSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Após a suspeita de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana anti-Covid Covaxin, o governo de Jair Bolsonaro se tornou alvo de uma nova acusação referente à aquisição de imunizantes para conter a pandemia.

Um representante da empresa Davati Medical Supply revelou ao jornal Folha de S. Paulo que o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pediu propina de US$ 1 (o equivalente a R$ 5 pela cotação atual) por cada dose em uma negociação para compra de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca.

Segundo Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que diz ser representante da Davati, o pedido ocorreu durante um jantar em um restaurante de Brasília (DF) em 25 de fevereiro, quando o Brasil já acumulava mais de 250 mil mortes por Covid-19.

"Ele [Dias] me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma'", contou Dominguetti, de acordo com a reportagem da Folha. Em seguida, o jornal questionou qual seria essa "forma". "Acrescentar US$ 1", afirmou o representante.

Poucas horas após a divulgação da notícia, o governo Bolsonaro exonerou Dias do cargo de diretor de logística do Ministério da Saúde, porém sem dar maiores explicações. Já há um requerimento na CPI da Covid-19 no Senado para convocar Dominguetti a prestar esclarecimentos sobre o caso.

Em diversas ocasiões ao longo dos últimos meses, a AstraZeneca disse que não vendia vacinas por meio de intermediários e que tratava diretamente com governos nacionais. A Davati não explicou como teria acesso a 400 milhões de doses do imunizante da multinacional anglo-sueca.

Segundo a Folha, Dias foi indicado para o Ministério da Saúde pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara e que está na mira da CPI por causa do escândalo Covaxin.

Em depoimento à comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) disse que, ao relatar suspeitas de irregularidades a Bolsonaro, teria ouvido da boca do presidente que isso era "coisa" de Barros. Em seu Twitter, o líder do governo na Câmara afirmou que não indicou Dias para o Ministério da Saúde.

"Em relação à matéria da Folha, reitero que Roberto Ferreira Dias teve sua nomeação no Ministério da Saúde no início da atual gestão presidencial, em 2019, quando não estava alinhado ao governo. Assim, repito, não é minha indicação. Desconheço totalmente a denúncia da Davati", escreveu.

Em outubro de 2020, Bolsonaro chegou a indicar Dias para o cargo de diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas acabou voltando atrás após uma suspeita de irregularidades em outro contrato.

Além disso, de acordo com a revista Crusoé, após ter denunciado problemas na compra da Covaxin a Bolsonaro, o deputado Luis Miranda teria recebido uma oferta de propina do lobista Silvio Assis, que teria prometido uma participação de seis centavos de dólar por cada dose de vacina, o que poderia totalizar US$ 1,2 milhão.

Assis confirmou a reunião com Miranda, mas negou ter participado de negociações sobre imunizantes. (ANSA)

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