'Caguei', diz Bolsonaro sobre cobrança da CPI da Covid

Presidente se nega a comentar denúncia de corrupção

Protesto contra Bolsonaro no Rio de Janeiro, em 3 de julho
Protesto contra Bolsonaro no Rio de Janeiro, em 3 de julho (foto: EPA)
14:32, 10 JulSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Com suspeitas de corrupção na compra de vacinas cada vez mais próximas de seu gabinete, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (8) que não vai responder à CPI da Covid-19 sobre as denúncias ligadas ao caso Covaxin.

A declaração foi dada horas depois de o presidente (Omar Aziz), o vice-presidente (Randolfe Rodrigues) e o relator da comissão (Renan Calheiros) terem enviado uma carta ao Planalto cobrando um posicionamento de Bolsonaro.

"Hoje não sei se foi o Renan, o Omar ou o saltitante, fizeram uma festa lá embaixo, na Presidência, entregando um documento para eu responder. Sabe qual a minha resposta, pessoal? Caguei. Caguei para a CPI, não vou responder nada", disse o presidente da República.

Passadas quase duas semanas, Bolsonaro ainda não comentou a revelação de que o deputado Luiz Miranda, seu ex-aliado, o havia alertado sobre suspeitas de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin.

Segundo relato do próprio Miranda, a conversa com Bolsonaro ocorreu em março, e o presidente teria prometido levar a denúncia para a Polícia Federal e dito que aquilo era "coisa" de Ricardo Barros, líder do governo na Câmara.

No entanto, até a revelação na CPI da Covid, em junho, não havia investigação aberta na Polícia Federal para apurar a suspeita. O caso motivou a abertura de um inquérito da Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro por prevaricação, crime praticado pelo agente público que deixa de realizar ato de ofício, como denunciar suspeitas de corrupção.

A Covaxin era a vacina anti-Covid mais cara contratada pelo governo Bolsonaro, embora não tenha aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O contrato, que agora está suspenso, previa a aquisição de 20 milhões de doses por R$ 1,6 bilhão (R$ 80 por dose), e o dinheiro já foi empenhado, ou seja, não pode ser usado para outro fim, embora não tenha sido repassado à Precisa Medicamentos, intermediária do negócio com o laboratório indiano Bharat Biotech.

Além disso, US$ 45 milhões, o equivalente a quase R$ 230 milhões, seriam pagos de forma antecipada a uma empresa com sede em Singapura, a Madison Biotech. (ANSA)

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