Vendedor da Davati diz que foi procurado por Ministério da Saúde

Carvalho disse que não iniciou tratativas para venda de vacinas

Cristiano Carvalho, da Davati, prestou depoimento aos senadores na CPI da Covid-19
Cristiano Carvalho, da Davati, prestou depoimento aos senadores na CPI da Covid-19 (foto: Pedro França/Agência Senado)
14:22, 15 JulSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O representante comercial da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, afirmou em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado, nesta quinta-feira (15), que foi procurado por "diversas vezes" pelo ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias para vender vacinas ao governo.

Carvalho ainda acrescentou que não foi ele quem chamou o policial militar Luiz Paulo Dominghetti para trabalhar para a Davati, mas sim que o cabo chegou até ele ao lado do reverendo Amilton Gomes de Paula, líder da ONG Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah). A fala contradiz o depoimento do militar dado à CPI.

Segundo o representante da Davati, Dias entrou em contato com ele pela primeira vez em 3 de fevereiro, com diversas ligações e envio de mensagens para seu número. "Retornei a ligação por volta das 21h. Dias conversou comigo rapidamente, disse que fazia a contratação de dispensa internacional de vacinas e eu até fui checar na internet e verifiquei que ele realmente era o diretor de logística do Ministério da Saúde", afirmou.

"Dada a insistência das pessoas [do Ministério] em me procurar, vi como oportunidade de fazer um bom trabalho e de ser remunerado por isso. [...] Mas, fui alçado a um posto que eu não tinha, numa situação complicada. Nunca entrei em contato com o Ministério da Saúde, foi o Ministério da Saúde que me procurou através do Roberto Dias", acrescentou.

Ainda conforme Carvalho, Dominghetti "se empenhou muito na venda das vacinas" e fazia "um trabalho grande com a Senah". O primeiro contato entre ambos ocorreu em 10 de fevereiro, com um e-mail enviado pelo policial se apresentado.

O primeiro contato do vendedor com o governo federal ocorreu por meio de Amilton e Dominghetti, que o levaram para uma reunião no Instituto Força Brasil, uma ONG chefiada pelo coronel da reserva, Helcio Bruno.

"Fui receoso, inclusive, nunca quis ter um envolvimento com o governo federal. Mas os traços de veracidade que chegavam até mim por eles [Dominghetti e Amilton] davam a entender que realmente havia essa demanda do governo federal", disse aos senadores.

A versão dada por Carvalho contradiz o depoimento do policial militar que, por diversas vezes, afirmou que o representante comercial estava acima dele na hierarquia e que havia sido contratado por ele para intermediar a compra. O depoente afirmou por diversas vezes que sua única função era fazer uma "ponte" entre a Davati e a pasta da Saúde.

"Nunca enviei nenhuma proposta de preço nem proposta de compra e venda. Elas sempre foram enviadas através do escritório central da empresa nos Estados Unidos e eu não tinha influência de preço, só fazia a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos", pontuou.

Outro ponto importante abordado pelos senadores é de onde sairiam as 400 milhões de doses prometidas da vacina da AstraZeneca, já que, naquele momento, havia uma grande escassez de imunizantes. Carvalho ressaltou que a única informação que tinha da sede da Davati nos Estados Unidos é que isso viria por intermédio de um grupo francês, mas que não sabia confirmar ou não se a quantidade existia.

Propina

Carvalho foi bastante questionado sobre a suposta oferta de propina de US$ 1 por dose feita por Dias a Dominghetti, motivo pelo qual, inclusive, o policial militar foi chamado para depor.

Após se esquivar de dar a resposta, o representante disse que só soube da história em março e que não ficou sabendo quando ela teria sido feita ao policial, em 25 de fevereiro.

Quero ressaltar que a informação veio até mim e não foi o nome propina. Dominghetti falou sobre 'comissionamento'. Ele se referiu a esse comissionamento como sendo do grupo do tenente-coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado para Blanco, que tem o nome de Odilon", afirmou.

Blanco é o coronel Marcelo Blanco, ex-funcionário do Ministério da Saúde; Já Odilon é Guilherme Odilon Filho, um interlocutor também citado por Dominghetti.

Durante depoimento à CPI, porém, Dias negou que tenha feito qualquer solicitação de propina e que não deu andamento ao processo porque o policial militar nunca apresentou a carta de representação da empresa ao Ministério. (ANSA).
   

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