Marinha faz desfile de tanques para entregar convite a Bolsonaro

Parada acontece no dia da votação da PEC do voto impresso

Bolsonaro acompanha desfile militar inédito em Brasília
Bolsonaro acompanha desfile militar inédito em Brasília (foto: Matheus W. Alves/Futura Press)
12:52, 10 AgoSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Um comboio de veículos militares, incluindo blindados e tanques de guerra, desfilou por Brasília na manhã desta terça-feira (10) para entregar ao presidente Jair Bolsonaro um convite para um exercício da Marinha em Formosa (GO).

Esse treinamento é realizado anualmente desde 1988, mas é a primeira vez que as Forças Armadas organizam um desfile militar apenas para entregar o convite ao presidente da República. A parada coincide com a data prevista para votação da proposta do voto impresso, bandeira de Bolsonaro, na Câmara dos Deputados.

O convite foi entregue por um militar nas mãos do chefe de Estado, que aguardava ao lado de ministros e comandantes no alto da rampa do Palácio do Planalto, todos eles sem máscara. Após a repercussão negativa do desfile, Bolsonaro chegou a convidar representantes dos outros poderes na última segunda (9), mas nenhum deles apareceu.

Líderes da oposição afirmam que a parada militar é uma tentativa de intimidar o Congresso para aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, que foi colocada em pauta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), apesar de ter sido rejeitada em uma comissão especial.

A PEC prevê o retorno ao sistema do voto impresso, já que Bolsonaro tenta jogar dúvidas sobre as urnas eletrônicas para deslegitimar os resultados das eleições de 2022 - todas as pesquisas apontam que o presidente perderia para Luiz Inácio Lula da Silva.

"Enquanto milhões passam fome, Bolsonaro torra dinheiro público com desfile de blindados. Não irão nos intimidar! E a democracia será nossa resposta contra esse autoritarismo: a Câmara deve votar e derrotar a PEC do voto impresso hoje para enterrar de vez essa tentativa de golpe", disse no Twitter o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ). (ANSA)

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