Câmara impõe derrota a Bolsonaro e arquiva voto impresso

Votação ocorreu poucas horas depois de desfile militar inédito

Bolsonaro durante desfile militar da Marinha em Brasília
Bolsonaro durante desfile militar da Marinha em Brasília (foto: EPA)
08:28, 11 AgoSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, com 229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/19, que tornava obrigatório o voto impresso.

Para que fosse aprovada, a PEC precisava de, no mínimo, 308 votos em dois turnos de votação. A matéria será arquivada, em uma grande derrota para o presidente Jair Bolsonaro no Congresso, apesar do apoio de 229 deputados à causa.

"Eu queria, mais uma vez, agradecer ao plenário desta Casa pelo comportamento democrático em um problema que é tratado por muitos com muita particularidade e com muita segurança. A democracia do plenário desta Casa deu uma resposta a esse assunto e, na Câmara, eu espero que esse assunto esteja definitivamente enterrado", disse o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), ao encerrar a votação.

Todos os partidos de oposição votaram contra a proposta, apesar de algumas "traições". Segundo o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição, os parlamentares contrários à proposta evitaram se manifestar durante a votação para acelerar o tempo de análise.

"Foi correto que rechaçássemos essa proposta porque seria um grave retrocesso no país. Não houve um caso de fraude comprovada nos 25 anos de uso da urna eletrônica no país", disse.

O deputado Carlos Sampaio, vice-líder do PSDB (SP), citou que, em 2014, a sigla solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria nas urnas após a vitória de Dilma Rousseff, do PT, sobre o tucano Aécio Neves. Segundo o parlamentar, novas resoluções do TSE em 2019 deram mais transparência ao processo de votação - apesar disso, boa parte do PSDB ficou a favor do voto impresso, enquanto Aécio se absteve.

"Tudo o que o nosso partido colocou na auditoria de 2014, melhor, finalizada em 2015, constou dessa resolução. Pode não agradar grande parte dos que estão me ouvindo, talvez grande parte dos meus eleitores, mas esses são os fatos como eles são. E quando disse que o TSE tinha, em 2015, urnas não auditáveis, eu disse com embasamento técnico e científico, com base em perícias. E se hoje venho aqui dizer que esse voto é auditável e ele é aferível, é porque tem a mesma resolução, essa de 2019, a respaldar o que eu estou dizendo", justificou Sampaio.

A votação ocorreu poucas horas depois de um desfile militar inédito em Brasília, que causou controvérsia entre os parlamentares. Para parte dos deputados e senadores, o ato foi uma tentativa do governo Bolsonaro de intimidar os congressistas. (Com informações da Agência Brasil) (ANSA)

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