Em carta, Léo Pinheiro volta atrás em parte de acusações contra Lula

Ex-presidente da OAS reverteu o que disse em delação premiada

Léo Pinheiro deve voltar atrás em outras partes de delação premiada contra Lula
Léo Pinheiro deve voltar atrás em outras partes de delação premiada contra Lula (foto: ANSA)
15:12, 14 SetSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, escreveu uma carta à mão em que volta atrás em diversas acusações que fez na delação premiada com a Operação Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revela o jornal "O Globo" nesta terça-feira (14).

O documento foi um dos principais a serem usados pela Justiça de São Paulo para arquivar uma denúncia que acusava o ex-presidente de cometer o crime de tráfico de influência com o governo da Costa Rica.

A carta foi anexada ao processo em junho desse ano e nela Pinheiro afirma que "nunca autorizou ou teve conhecimento de pagamentos de propina às autoridades citadas no caso", diz o jornal.

"A empresa OAS não obteve nenhuma vantagem, pois inclusive não foi beneficiada por empréstimos do BCIE - Banco Centro Americano de Integração Econômica", ressalta outro trecho publicado pelo jornal.

O acordo de delação premiada com a Lava Jato havia sido firmado em dezembro de 2018 com a então procuradora-geral da República Raquel Dodge. Por meio dele, o empreiteiro pagou uma multa de R$ 45 milhões por danos aos cofres públicos e pode cumprir as cinco condenações penais que sofreu, com progressão do regime domiciliar, semiaberto e aberto.

Na época, Pinheiro havia dito que pediu a Lula durante uma viagem a Costa Rica que o ex-presidente realizasse um encontro com o presidente do BCIE, Nick Gloe, para aumentar a participação do Brasil na estrutura da instituição.

O ex-presidente da OAS afirmou que esse encontro ocorreu na suíte do hotel onde Lula estava, com o então diretor da empresa, Augusto Uzeda, que já à época da declaração de Pinheiro havia negado a realização da reunião.

Pinheiro também disse que pediu que Lula intercedesse com a presidente Dilma Rousseff e o então ministro de Planejamento, Paulo Bernardo, sobre o assunto.

"O Globo" ainda cita pessoas próximas a Pinheiro, que dizem que ele irá voltar atrás em outras declarações que fez para a Justiça. Foi com base nessa delação que Lula foi condenado pelo caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo, em processo que foi anulado posteriormente pela Justiça. (ANSA).
   

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