Nos EUA, artistas latinos se unem contra Trump em festival

Evento aconteceu no sábado perto da fronteira entre EUA e México

O ator mexicano Gael García Bernal criticou Donald Trump no festival 'Rise Up As One'
O ator mexicano Gael García Bernal criticou Donald Trump no festival 'Rise Up As One' (foto: EPA)
14:07, 17 OutCIDADE DO MÉXICO Marcos Romero

(ANSA) - Artistas latinos como o ator Gael García Bernal e os cantores Carlos Vives e Juanes uniram as suas vozes no último sábado (15) em San Diego, perto da fronteira dos Estados Unidos com o México, contra o candidato republicano Donald Trump e pediram para que a comunidade latina vá votar no dia 8 de novembro.

 

Na plateia do festival "Rise Up As One", composta principalmente por jovens, bandeiras do México, Colômbia, Argentina, Costa Rica e Estados Unidos foram levantadas e gritos contra o magnata foram ouvidos no espaço Cross Border Express, o primeiro terminal de passageiros do mundo que é usado por aeroportos de dois países: o de San Diego, nos EUA, e o de Tijuana, no México.

 

 

O evento, que foi organizado inicialmente com o objetivo de celebrar a diversidade e o respeito aos diferentes povos e culturas através da música e não para atacar Trump ou apoiar a democrata Hillary Clinton, acabou virando um momento para criticar o magnata novaiorquino e suas ideias xenófobas e preconceituosas e também para repudiar a sua intenção de construir um muro na fronteira entre os dois países.

 

"México manda [aos Estados Unidos] pessoas que têm muitas qualidades. [Elas] estão trazendo esperança e uma cultura extraordinária. [Elas] são incrivelmente trabalhadoras", disse García Bernal, que apresentou o evento junto ao cineasta Jonás Cuarón, filho do também diretor de cinema Alfonso Cuarón.

 

A frase é uma paródia de uma afirmação feita por Trump na qual o milionário qualifica os mexicanos como "criminosos, estupradores e narcotraficantes".

 

"Em frente ao ódio, nós respondemos com amor, com compaixão, com inteligência e com alegria. O futuro é nosso", disse o protagonista do filme "Diários de Motocicleta" e da série "Mozart in the Jungle".

 

"Neste momento, se celebra a unidade e sinto que o futuro é nosso. Estamos transformando uma mensagem de ódio em algo positivo. Não há porque ficarmos calados", disse o ator.

 

No evento, a cantora Lila Downs apresentou uma música dedicada ao republicano chamada "The Demagogue" ("O Demagogo", em tradução livre), na qual se refere ao muro que o empresário quer construir e que, segundo ele, será despesa apenas do México. "Não a esse muro! Eu acabo com o ódio agora mesmo", afirma a compositora na canção.

 

Já o portorriquenho René Pérez Joglar, mais conhecido como Residente, do grupo Calle 13, disse que "os dois candidatos" à Presidência dos Estados Unidos "são péssimos", mas que Trump "é horrível".

 

Além disso, a popular banda mexicana Los Tigres del Norte, que na semana passada divulgou uma foto ao lado de Hillary, deu início ao festival com as músicas "Somos Más Americanos" e "América".

 

E o cantor Lupillo Rivera também não escondeu sua preferência pela democrata e pediu para a "nova presidente" dos Estados Unidos dar aos imigrantes latinos a "oportunidade de pagar os seus impostos" e de "entrar na legalidade".

 

Outros participantes do evento do último sábado foram os espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, a dupla mexicana Jesse & Joy e os colombianos Carlos Vives e Juanes. (ANSA)

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