Pela 1ª vez, Ryanair cogita hipótese de comprar Alitalia

Porém CEO exige reestruturação da companhia aérea italiana

Em crise, Alitalia está sob intervenção do governo
Em crise, Alitalia está sob intervenção do governo (foto: Ansa)
17:43, 27 JunROMA ZLR

(ANSA) - O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou nesta terça-feira (27) que está disposto a comprar a Alitalia, maior companhia aérea italiana e que passa por uma grave crise financeira.

No entanto, segundo o executivo, isso só acontecerá se os comissários nomeados pelo governo da Itália para administrar a empresa conseguirem reestruturá-la. "A Ryanair apresentou uma manifestação de interesse pela Alitalia e estaria interessada na aquisição, caso os comissários se comprometam a fazer importantes mudanças dentro da companhia", declarou O'Leary.

É a primeira vez que o grupo irlandês de baixo custo fala publicamente em comprar a Alitalia, cuja segunda fase de seu processo de venda termina no próximo dia 21 de julho. Esse é o prazo final para as companhias interessadas, incluindo a Ryanair, apresentarem suas ofertas não vinculantes pela empresa italiana.

Até então, o grupo irlandês havia proposto apenas uma parceria em voos regionais, e não a aquisição da Alitalia como um todo. "Tudo dependerá do trabalho dos comissários, ninguém está interessado em comprar uma empresa que perde dinheiro", acrescentou o CEO.

Outra exigência de O'Leary é ter o controle acionário da Alitalia, que hoje é dividida entre a holding Compagnia Aerea Italiana (CAI), com 51% de participação, e o grupo árabe Etihad Airways, que tem 49% e, para o executivo da Ryanair, já está "fora do jogo".

O CEO também disse que, no caso de uma eventual aquisição, administrará a empresa italiana sem a interferência de "políticos e sindicatos". "A Alitalia tem entre 4 mil e 5 mil funcionários que não são pilotos, comissários ou engenheiros, e ninguém sabe o que eles fazem", acrescentou.

A crise na Alitalia se agravou após seus funcionários terem rejeitado um plano de demissões de 1 mil pessoas, requisito obrigatório para os acionistas aumentarem o capital da companhia aérea em 2 bilhões de euros.

Com isso, a empresa se viu na perspectiva de ficar sem liquidez e pediu a intervenção do governo. Se não encontrar um comprador, a Itália terá dois caminhos: tentar sanar a Alitalia e mantê-la em sua configuração societária atual ou decretar sua falência. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA