Mike Manley substitui Marchionne como CEO da FCA

Conselho da empresa foi convocado de urgência neste sábado

Mike Manley e Sergio Marchionne, em uma foto de arquivo
Mike Manley e Sergio Marchionne, em uma foto de arquivo (foto: ANSA)
14:19, 21 JulTURIM ZLR

(ANSA) - A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) elegeu neste sábado (21) o executivo Mike Manley, responsável pela marca Jeep, como seu novo CEO, no lugar de Sergio Marchionne, que enfrenta problemas de saúde.

A troca estava prevista para a primeira metade de 2019, mas foi antecipada devido às complicações relacionadas a uma cirurgia feita por Marchionne recentemente. Por conta disso, o conselho de administração da FCA foi convocado de urgência para escolher um novo CEO e acabou optando por uma solução interna.

Oficialmente, a empresa diz que Marchionne foi operado no ombro direito, porém sem dar mais detalhes sobre o motivo da cirurgia. "Marchionne não poderá retomar sua atividade de trabalho", diz uma nota do grupo, acrescentando que as condições do ex-CEO "pioraram", devido a "complicações inesperadas no período de convalescença".

"Para muitos, Sergio foi um líder iluminado, um ponto de referência inigualável. Para mim, era uma pessoa em quem confiar, um mentor e, sobretudo, um amigo", afirmou John Elkann, presidente da FCA.

"Estou profundamente triste pelas condições de Sergio. Trata-se de uma situação impensável até poucas horas atrás e que deixa em todos um sentimento de injustiça", acrescentou. No entanto, Elkann garantiu que, apesar da dor, a transição de poder na companhia será de "continuidade".

Histórico

Tido como o "salvador" da Fiat, o sempre informal Marchionne, 66 anos, trabalhava no grupo desde 2004, e muitos imaginavam que ele adiaria sua aposentadoria no ano que vem, dada a dificuldade de imaginar uma FCA sem o executivo.

Quando Marchionne chegou à principal fabricante de automóveis da Itália, a companhia corria o risco de falência, mas o executivo conseguiu saná-la e torná-la lucrativa, além de ter alcançado acordos com os trabalhadores para investir nas fábricas de Pomigliano d'Arco e Mirafiori, símbolos da industrialização italiana.

Além disso, ele capitaneou a saída da Fiat da Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria), entidade da qual a empresa é uma das fundadoras. Com a fusão com a Chrysler, em 2009, a FCA passaria a ter, anos mais tarde, sede fiscal em Londres e domicílio legal em Amsterdã, após 115 anos em Turim.

O grupo também passou a ter suas ações cotadas nas bolsas de Milão e Nova York. Ao longo desse período, Marchionne cultivou boas relações com a política e chegou a ser convidado por Silvio Berlusconi a se candidatar com a centro-direita, mas se recusou.

Do outro lado, o executivo também era considerado próximo a Matteo Renzi, de centro-esquerda, de quem se afastou no último ano. Recentemente, Marchionne recebeu elogios até do presidente dos EUA, Donald Trump.

Ferrari e CNH

O italiano deixa também os cargos de presidente da CNH Industrial e da Ferrari, ambas controladas pela família Agnelli, assim como a FCA. No caso da primeira, ele foi substituído por Suzanne Heywood.

Por meio de uma nota, a empresa disse que o conselho de administração continua trabalhando para escolher um novo CEO, cargo ocupado interinamente por Derek Neilson.

Na Ferrari, Louis Carey Camilleri, ex-comandante da fabricante de cigarros Philip Morris, foi nomeado como CEO. Já o cargo de presidente passou para John Elkann - ambas as funções eram acumuladas por Marchionne.

Apesar de serem controladas pela família Agnelli, FCA e Ferrari operam de forma independente desde 2016.

Sucessor

Nascido em Edenbridge, no Reino Unido, Manley tem 54 anos e entrou na Daimler Chrysler, que viria a ser comprada pela Fiat, em 2000, no cargo de diretor de desenvolvimento de rede no país britânico.

Em 2008, assumiu a função de vice-presidente de vendas internacionais e, em junho de 2009, foi nomeado CEO da marca Jeep, função que manteve após a união com a Fiat. (ANSA)

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