Países Baixos aprovam moção contra proposta da Itália na UE

"Eurobonds" dividiram a União Europeia entro norte e sul

O primeiro-ministro Mark Rutte é contra criação de 'eurobonds'
O primeiro-ministro Mark Rutte é contra criação de 'eurobonds' (foto: EPA)
10:24, 09 AbrBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A Câmara de Deputados dos Países Baixos aprovou na noite desta quarta-feira (8) uma resolução contra uma proposta da Itália de criar um instrumento financeiro de combate à crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus na União Europeia.

O texto exorta o governo do primeiro-ministro conservador Mark Rutte a não aceitar a instituição dos chamados "eurobonds", uma espécie de título de dívida comum para os países da zona do euro. O instrumento é defendido pelas nações do sul, como Itália, Grécia e Portugal, que teriam acesso a financiamento mais barato em um momento de crise.

Por outro lado, os Países Baixos e outros Estados-membros do norte, como a Alemanha, preferem a utilização do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), um fundo criado para socorrer nações em dificuldade na eurozona. Os repasses, no entanto, seriam feitos como linhas de crédito, ou seja, os países socorridos, já altamente endividados, teriam de arcar com novos empréstimos.

A moção não é vinculativa, mas indica um claro rumo político ao governo em meio às negociações entre os ministros da Economia da zona do euro para definir os instrumentos de combate à crise no bloco. Até o momento, os países não conseguiram chegar a um acordo.

O texto foi proposto pela legenda de extrema direita e eurocética Fórum pela Democracia (FvD), que integra o grupo Reformistas e Conservadores Europeus com outros partidos ultranacionalistas da UE, como o Irmãos da Itália (FdI), de Giorgia Meloni, e o espanhol Vox.

A moção recebeu 86 votos a favor, de um total de 150, incluindo dos 32 deputados do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), do premiê Rutte, integrante do Partido Popular Europeu (PPE), ao qual também pertencem Angela Merkel e Silvio Berlusconi. (ANSA)

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