Projeto de Itália e França para criar 'Airbus naval' naufraga

Países desistiram da venda de estaleiro francês para Fincantieri

Estaleiro da Fincantieri em Castellammare di Stabia
Estaleiro da Fincantieri em Castellammare di Stabia (foto: ANSA)
14:32, 28 JanTRIESTE ZLR

(ANSA) - Em meio a incertezas potencializadas pela pandemia do novo coronavírus, naufragou o sonho da Itália e da França de criar uma Airbus do setor de construção naval.

Por meio de um comunicado conjunto, os governos dos dois países anunciaram nesta quarta-feira (27) que o "contexto atual não permite concluir" a venda do estaleiro francês Chantiers de l'Atlantique (ex-STX) para a estatal italiana Fincantieri, uma das maiores empresas navais do mundo.

A decisão foi tomada após uma reunião do ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Stefano Patuanelli, e do ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, com a comissária de Concorrência da União Europeia, Margrethe Vestager.

O poder Executivo da UE havia aberto um inquérito em 2019 para investigar possíveis riscos à concorrência no setor de construção naval com a operação, especialmente no mercado de navios de cruzeiro.

Segundo a nota conjunta, o cancelamento do negócio se deve às "incertezas sem precedentes no mercado turístico" provocadas pela pandemia, que paralisou operações de navios de cruzeiro mundo afora.

A crise sanitária também serve como justificativa ideal para encerrar uma operação que já havia sido motivo de embates diplomáticos entre Itália e França.

O estaleiro Chantiers de l'Atlantique fica no porto de Saint-Nazaire e pertencia a uma companhia sul-coreana que acabou falindo. Durante o mandato do ex-presidente francês François Hollande, a Fincantieri fechou um acordo para comprar 66,6% da então STX, mas a operação foi vetada por Emmanuel Macron em julho de 2017.

Após dois meses de negociações, Roma e Paris chegaram a um pacto para os italianos ficarem com 51% das ações do estaleiro, sendo que 1% seria emprestado pelo Estado francês, que teria um total de 34%, por 12 anos. Caso sentisse que seus interesses estivessem ameaçados, a França poderia reaver esse 1% a qualquer momento.

Com a desistência dos dois países, o Estado francês permanece como acionista majoritário no Chantiers de l'Atlantique, evitando mau humor interno por conta de uma venda à Itália, enquanto a Fincantieri recupera os 60 milhões de euros destinados à aquisição, quantia que a ajudará a enfrentar a crise no setor.

Na nota conjunta, os dois países disseram que continuam "plenamente empenhados em aprofundar a cooperação no campo naval". (ANSA) 

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