Stellantis prevê solução para crise dos semicondutores em 2022

Apesar disso, Filosa mostrou otimismo com o mercado brasileiro

Antonio Filosa, presidente da Stellantis na América do Sul
Antonio Filosa, presidente da Stellantis na América do Sul (foto: Divulgação)
14:08, 01 SetSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O presidente da Stellantis para a América do Sul, Antonio Filosa, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a solução definitiva para a escassez de semicondutores no mercado automotivo só deve chegar em 2022, e "não nos primeiros meses".

Em entrevista coletiva com jornalistas brasileiros, Filosa demonstrou preocupação com a falta desse tipo de componente para a indústria e não descartou possíveis paralisações em alguns turnos de produção no futuro.

"A previsibilidade da escassez ainda não é robusta. Sabemos quais são os problemas, e acredito que todas as montadoras já sabem, mas o timing da solução ainda não é claríssimo para todos nós. Uma solução definitiva será alcançada no próximo ano, mas não nos primeiros meses", disse o executivo.

Filosa explicou que a escassez de semicondutores não afetou o plano de lançamentos da Stellantis, mas admitiu que o grupo poderia estar produzindo mais se não fosse esse problema. "De fato, nós paramos a produção em alguns períodos, e acredito que isso, infelizmente, seja possível também no futuro, não totalmente, mas em alguns turnos. Mas isso não é somente para a Stellantis, é para todos."

Apesar da crise dos semicondutores, Filosa disse que a indústria automotiva no Brasil deve fechar 2021 perto de 2,35 ou 2,37 milhões de unidades produzidas, talvez "um pouco menos", não muito longe da previsão de 2,4 milhões que o próprio presidente havia feito à ANSA em junho.

"Aqui estamos falando de bola de cristal, e as bolas de cristal no Brasil são muito caras", brincou o presidente da Stellantis, ressaltando que, apesar do cenário de imprevisibilidade, ele está "cheio de otimismo" quanto ao mercado no país.

"Os brasileiros têm características de resiliência absurdamente extraordinárias, os brasileiros têm características de criatividade e trabalho integrado absolutamente extraordinárias, o ambiente econômico é que tem um problema, ele não é previsível. Mas, como agente industrial, eu tenho uma visão um pouco mais otimista", salientou.

De acordo com o presidente, a crise nos semicondutores "é um problema, mas vai terminar", enquanto a inflação em algum momento "vai começar a se estabilizar".

"Independentemente do ciclo econômico inflacionário, que é global, independentemente dos vínculos globais, mas temporários, dos semicondutores, no final, o que faz a força de um mercado ou de uma indústria são as pessoas. E nossas pessoas são muito boas, com características absolutamente únicas: criatividade, determinação, garra - usando um termo futebolístico - e facilidade de se integrar", afirmou.

Filosa ainda ressaltou que seria "bem melhor" para os planos da Stellantis se a previsibilidade econômica e política no Brasil fosse maior, mas o fato de a empresa continuar investindo demonstra que ela tem "otimismo com o país". (ANSA)

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