Os grandes destaques da Copa de 2010, 4 anos depois

De Forlán a Dunga, veja o que mudou na carreira de cada um deles

17:32, 11 JunSÃO PAULO Lucas Rizzi

(ANSA) - Quatro anos podem representar muita coisa na curta carreira de um jogador de futebol. Podem significar a diferença entre a glória e o ostracismo, o surgimento e a consagração. Em 2010, na África do Sul, a Copa do Mundo ficou marcada por uma série de personagens que viram suas trajetórias mudar bastante desde então. Destaques positivos ou negativos, eles sempre serão lembrados quando se falar daquele torneio vencido pela Espanha. 48 meses depois, veja abaixo como cada um deles chega (ou não) ao Mundial de 2014 no Brasil:

 

Diego Forlán

 

Nada mais apropriado do que começar por aquele que foi eleito pela Fifa o melhor jogador da Copa de 2010. Embora qualquer prêmio do tipo provoque discussões, não há como negar que Diego Forlán arrebentou na África do Sul. O atacante marcou cinco gols, foi um dos artilheiros do torneio e liderou o Uruguai na campanha que levou o país a uma semifinal do torneio após 40 anos.
    Na época, ele jogava no Atlético de Madrid e vinha de uma conquista da Liga Europa. Mas o status de ídolo colchonero não foi suficiente para manter o alto nível. Se na temporada 2009-10 Forlán marcou 28 gols pelo clube, na seguinte foram apenas 10. Por isso, em agosto de 2011 o atacante acertou sua transferência para a Inter de Milão. Na Itália, seu desempenho foi, para dizer o mínimo, decepcionante: 22 partidas com a camisa nerazzurra e apenas duas redes balançadas.
    Forlán resolveu então se aventurar pelos gramados brasileiros. Contratado com pompa pelo Internacional, foi embora no início deste ano tendo ganhado apenas o Campeonato Gaúcho de 2013. Agora, o Bola de Ouro da Copa de 2010 defende o Cerezo Osaka, 12° colocado no último campeonato japonês, e chega ao Brasil como coadjuvante das estrelas Luis Suárez e Edinson Cavani.

 

Luis Suárez

 

O também atacante da seleção uruguaia foi outro grande nome do Mundial da África do Sul. Não apenas pelos gols que marcou (e ele fez três), mas principalmente por ter realizado uma das mais importantes defesas de todas as Copas.
    No confronto de quartas de final contra Gana, Luis Suárez rebateu com as mãos, em cima da linha do gol, a bola que colocaria um time africano pela primeira vez em uma semifinal do torneio. O juiz marcou pênalti, expulsou Luisito e os ganeses ganharam mais uma chance. Mas Asamoah Gyan chutou no travessão e desperdiçou a oportunidade. A cena do uruguaio comemorando enquanto voltava para o vestiário ficou eternizada na história dos Mundiais.
    Depois, nos pênaltis, os sul-americanos conseguiram derrotar Gana e passar à próxima fase. De lá para cá, o sucesso de Suárez só cresceu. Ele ainda jogou por mais meio ano no Ajax, seu clube na época, até ser contratado em janeiro de 2011 pelo Liverpool, onde virou ídolo. Titular absoluto dos Reds, o uruguaio vem aumentando seu número de gols na Premier League temporada a temporada, conquistando a artilharia do campeonato na edição 2013-14, com 31 tentos. Luisito começará a Copa no Brasil como um dos melhores jogadores do planeta na atualidade, embora lute para se recuperar de uma cirurgia no joelho a tempo de defender a Celeste em plenas condições.

 

Asamoah Gyan

 

Aquele histórico confronto entre Uruguai e Gana na África do Sul rendeu outro personagem marcante. Asamoah Gyan marcou três gols no torneio e teve nos seus pés a chance de levar seu país e seu continente a uma inédita semifinal. Mas a bola subiu mais do que devia e os bicampeões acabaram avançando nos pênaltis. Ao final do jogo, Gyan chorou copiosamente e teve que ser amparado pelos companheiros.

No entanto, a boa participação naquela Copa o levou à Premier League, após o Sunderland comprar seus direitos do Rennes, da França. O ganês até foi bem em sua única temporada completa no futebol inglês, anotando 10 tentos e cinco assistências em 31 partidas. Mas em setembro de 2011 ele foi emprestado para o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, que o adquiriu em definitivo no ano seguinte. Pelo clube, Gyan tem média superior a um gol por jogo, o que o credencia como uma das principais esperanças de Gana na Copa de 2014.

 

Andrés Iniesta

 

Aos 116 minutos de jogo, no final do segundo tempo da prorrogação, Andrés Iniesta cravou de vez seu nome na história do futebol ao marcar o gol que deu o primeiro título mundial da Espanha. Passados quatro anos, o talentoso meia do Barcelona continua atuando em alto nível e é considerado por muitos como o melhor jogador da história da Roja.
    Nesse período, Iniesta conquistou uma Liga dos Campeões, dois campeonatos espanhóis, uma Copa do Rei e um Mundial de Clubes, além de levantar mais uma vez a taça da Eurocopa com a Fúria.
    Ele ainda foi eleito o segundo melhor do planeta em 2010 e o terceiro em 2012. Se há quatro anos o meia era "apenas" mais um excelente jogador ao lado de Xavi e David Villa em grande fase, hoje ele chega com status de grande craque da Espanha.

 

Felipe Melo

 

Toda vez que o Brasil é eliminado de uma Copa do Mundo a torcida elege alguns bodes expiatórios da derrota. Em 2010 não foi diferente. Expulso por um pisão em Robben quando a seleção perdia por 2 a 1 para a Holanda nas quartas de final, Felipe Melo foi considerado um dos vilões daquela partida e nunca mais vestiu a amarelinha. Em seguida, o volante teve uma temporada ruim pela Juventus e foi emprestado para o Galatasaray, clube que comprou seus direitos em 2013 e onde ele é idolatrado pela torcida. Apesar do bom futebol demonstrado na Turquia, Felipe Melo não chegou nem a ser cogitado mais para a seleção. E a idade não seria um empecilho, já que ele tem só 30 anos.

 

Dunga

 

O técnico da seleção na África do Sul também não escapou da marca daquela derrota. Após enclausurar o elenco durante a Copa, comprar brigas com a imprensa e não convocar Neymar e Ganso, o treinador deixou o escrete canarinho sob uma chuva de críticas. Nos dois anos e meio seguintes, Dunga recusou diversos convites do futebol brasileiro por conta de problemas de saúde na sua família. Ele só retomou a carreira em dezembro de 2012, quando assumiu o Internacional. Pelo Colorado, o técnico ganhou o campeonato gaúcho de 2013, mas não resistiu a uma série de quatro derrotas seguidas e acabou demitido em outubro daquele ano. Desde então, permanece fora do mercado. (ANSA)

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