Fase de grupos empolgou com bons jogos e goleadas

E nenhuma seleção pintou como grande favorita para o título

Fase de grupos teve muitos gols e empolgou com bons jogos.
Fase de grupos teve muitos gols e empolgou com bons jogos. (foto: EPA)
19:22, 27 JunSÃO PAULO Por Tatiana Girardi

(ANSA) - A primeira fase da Copa do Mundo terminou com grandes surpresas e nenhum grande favorito ao título mundial. Hoje (27) é o primeiro dia de "folga" para a Fifa e não haverá nenhum jogo. O nível técnico da competição surpreendeu e as equipes do continente americano fizeram bonito na fase de grupos. Essa foi a Copa com maior número de gols na primeira fase desde 1958. Ao todo são 8 representantes das Américas, 6 da Europa e 2 africanos.

 

Grupo A

Um dos grupos mais equilibrados da Copa viu Brasil, México e Croácia disputarem até a última partida quem iria se classificar para a próxima fase. O grupo também teve a seleção de Camarões, dilacerada por brigas com a Federação de Futebol do país, que quase impediu a seleção de vir ao país e supostos arranjo de resultados para sites de apostas - ainda não comprovados pelas entidades que atuam em parceria com a Fifa.

A seleção brasileira, apesar de jogar em casa, não foi a favorita que alguns esperavam, mas conseguiu passar em primeiro do grupo - muito graças ao craque Neymar, um dos artilheiros da primeira fase com 4 gols. A boa seleção croata não conseguiu passar, mas merece destaque pelas boas atuações. O México vem com uma boa equipe, mas deve comemorar muito se passar das oitavas.

 

Grupo B

Talvez o maior fiasco deste Mundial tenha vindo desse grupo. Mas, ele também teve a melhor seleção da primeira fase. Estamos falando da eliminação da Espanha e das boas atuações da seleção holandesa. Os espanhois chegaram como campeões mundiais e tinham tudo para passar para as oitavas, porém, a goleada sofrida na estreia para a Holanda abalou as estruturas - já desgastadas - da equipe.

Os holandeses apresentaram um jogo bonito, com muita marcação e o trio ofensivo Sneijder, Robben e Van Persie afiadíssimo. Venceu seus três jogos e teve a melhor campanha entre as seleções da primeira fase. O Chile era a terceira força do grupo no papel, mas em campo mostrou um forte esquema tático que anulou a Espanha e garantiu a tão sonhada vaga. A Austrália cumpriu o papel que se esperava dela, apesar de Cahill e Bresciano, perdeu todos os seus jogos, mas sai de cabeça erguida e sem nenhuma grande goleada.

 

Grupo C

Um grupo equilibrado e que teve o brilho colombiano como destaque e a Costa do Marfim como decepção. A Colômbia venceu seus três jogos mostrando um futebol vibrante e contagiando a torcida de todo o mundo. Já a Grécia, com um esquema de jogo burocrático conseguiu sua classificação no último minuto do último jogo contra os marfinenses.

A Costa do Marfim tinha tudo para conseguir se classificar para as oitavas, mas o futebol apresentado contra os gregos deixou a desejar - e merecidamente, foi para casa mais cedo. Os japoneses voltaram para casa com um ponto e teve como ponto alto a participação de sua torcida nos estádios.

 

Grupo D

O temido Grupo da Morte se mostrou um fiasco para os europeus. A surpreendente Costa Rica, considerada o patinho feio do grupo, venceu os jogos contra Itália e Uruguai e liderou o D. O Uruguai foi guerreiro como sempre e conseguiu garantir a classificação no último jogo, contra a Itália. A seleção teve como destaque o heroísmo e a infantilidade de Luis Suárez. Na partida contra a Inglaterra, ele foi o destaque ao marcar os dois gols. Já contra a Itália tomou a maior suspensão já aplicada pela Fifa a um jogador por morder o zagueiro Giorgio Chiellini.

Já os europeus... O maior fiasco foi da Inglaterra, que ao final da segunda rodada já estava eliminada após duas derrotas para Itália e Uruguai. O único ponto positivo da seleção foi o gol de Wayne Rooney, que marcou seu primeiro gol após disputar 10 partidas em Copa do Mundo, quebrando o recorde negativo do qual é dono.

A Itália começou empolgando. Bateu a Inglaterra por 2 a 1 em um belo jogo e criou muitas expectativas em seus torcedores. Mas, as derrotas para a Costa Rica e Uruguai jogaram um balde de água fria nas esperanças italianas. A eliminação causou o pedido demissão do técnico Cesare Prandelli e a despedida nada empolgante do ídolo - e campeão mundial - Gianluigi Buffon da seleção.

 

Grupo E

Desse lado da tabela, a França mostrou a que veio. Apesar de não ter muitas dificuldades no grupo, a equipe mostrou um futebol bonito e aplicou uma das maiores goleadas da Copa, um 5 a 2 na Suíça. Benzema lidera o time que veio sem sua maior estrela, Franck Ribéry. Já a Suíça assustou a todos na goleada francesa, por ser considerada uma seleção com ótima defesa, mas conseguiu sua classificação nas outras duas vitórias: contra Equador - no último minuto - e contra Honduras. O Equador foi o único sul-americano que não passou para as oitavas, mas não apresentou um futebol de qualidade para tanto. Já Honduras veio passear na competição: perdeu as três partidas e não deixa saudades no Mundial.

 

Grupo F

Para quem apostava em três shows argentinos, uma surpresa. A Argentina sofreu para ganhar as partidas e só apresentou um futebol melhor no último jogo contra a Nigéria. Aliás, não fosse uma ajuda da arbitragem contra o Irã, a equipe teria empatado essa partida. Messi é o grande destaque da equipe e marcou 4 gols na fase de grupos, mas a defesa pede muita atenção.

A segunda vaga do grupo ficou com a Nigéria, que não empolgou muito, porém conseguiu uma vitória crucial contra a Bósnia-Herzegovina. Os bósnios, aliás, decepcionaram. A equipe tinha um bom esquema técnico que não conseguiu ser revertido em gols. O Irã só empatou com a Nigéria, mas não fez feio e pode se orgulhar do bom jogo contra os argentinos .

 

Grupo G

A Alemanha apareceu com um bom cartão de visitas contra os portugueses e aplicaram uma goleada de 4 a 0 nos lusos, jogando fácil e bonito e com trÊs gols de Thomas Müller. Porém, na partida contra Gana, um susto: um empate feio em 2 a 2 e um monte de dúvidas sobre qual seria a real força da equipe. Esse jogo marcou a história das Copas: Miroslav Klose marcou seu 15º gol em Mundiais e tornou-se o maior artilheiro da história ao lado de Ronaldo. Mas, na última partida, com a volta de Lucas Podolski e Bastian Schweinsteiger na equipe titular, os alemães apresentaram um futebol digno de finalista.

Portugal sofreu com as lesões: perdeu o zagueiro Fabio Coentrão, o goleiro Rui Patrício e o atacante Hugo Almeida já no primeiro jogo - em que Pepe também foi expulso. Bruno Alves e Cristiano Ronaldo jogaram no sacrifício. Na última partida, a equipe tinha apenas 7 reservas em campo - dos 12 que poderia ter. Não deu outra, a equipe foi eliminada cedo.

Gana se apresentava como a segunda força, graças às lesões portuguesas, mas problemas no elenco fizeram a equipe rachar e não se classificar. Já os Estados Unidos, do técnico alemão Jurgen Klinsmann, empolgaram e conseguiram a merecida classificação para as oitavas de final.

 

Grupo H

Em um dos grupos que menos empolgou nesta Copa, a Bélgica se classificou sem nenhuma dificuldade. A classificação mais surpreendente foi a da Argélia, que após quatro Mundiais, conseguiu uma classificação histórica. Rússia, com um futebol burocrático, e Coreia do Sul foram coadjuvantes e não mostraram nada de mais no Mundial. (ANSA)

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