Políticos e clubes italianos criticam criação de 'Superliga'

Premiê italiano não apoiou a criação do novo torneio europeu

Juve, Inter e Milan estão participando da Superliga
Juve, Inter e Milan estão participando da Superliga (foto: ANSA)
14:38, 19 AbrROMA ZRS

(ANSA) - O anúncio da criação da "Superliga" estremeceu o mundo do futebol e causou reações quase imediatas de torcedores, clubes, políticos e jogadores. Na Itália, diversas manifestações foram contrárias ao novo torneio, inclusive do primeiro-ministro do país, Mario Draghi.

No meio político, o premiê afirmou que o governo vem acompanhando "de perto" o debate sobre o projeto da "Superliga" e prestou apoio aos posicionamentos das autoridades italianas e europeias de futebol.

"O governo acompanha de perto o debate em torno do projeto da 'Superliga' e apoia fortemente as posições das autoridades italianas e europeias do futebol na preservação das competições nacionais, dos valores meritocráticos e da função social do esporte", declarou Draghi.

Já a prefeita de Roma, Virginia Raggi, seguiu a ideia do primeiro-ministro italiano e se manifestou contrária ao novo torneio.

"Oponho-me ao projeto de criação de uma Superliga, que implicaria a criação de uma elite do futebol e que limitaria a participação de clubes como Lazio, Roma, Napoli e muitas outras das realidades esportivas. É importante salvar os valores de inclusão que o futebol sempre promoveu", disse a prefeita em entrevista à ANSA.

O governador da região da Emilia-Romagna, Stefano Bonaccini, comentou que a ideia da "Superliga" poderá não conquistar a simpatia dos torcedores.

"A ideia de um futebol que sempre coloca o mesmo e sempre os mais ricos em uma competição de um lado e o resto do outro, não sei o quanto consegue conquistar a simpatia de milhões de torcedores", comentou Bonaccini em uma coletiva de imprensa.

Entre os clubes, o Sassuolo foi um dos primeiros da Itália a comentar sobre o caso. Os neroverdi, por sua vez, não aprovaram a ideia de criar a nova competição.

"São pensamentos que não gostamos e que podem matar a nossa liga. Estão surgindo coisas desagradáveis e provavelmente já zombaram de nós. Hoje temos uma reunião na Lega Serie A e esperamos que os envolvidos diretamente nos façam entender. No esporte deve ter meritocracia, às vezes ser ganancioso demais é péssimo", declarou Giovanni Carnevali, membro da diretoria do clube italiano.

O presidente do Lecce, Saverio Sticchi Damiani, seguiu os mesmos passos de Carnevali e também foi contra o projeto, que contará com 12 dos clubes mais ricos da Europa.

"É prematuro falar nisso, mas não gosto desse método de criar uma liga em que os participantes afirmam ser merecedores de poder fazer parte dela, ao contrário de outras. O formato não me convence e não sei que impacto terá nas ligas nacionais", disse.

A "Superliga" também causou grande repercussão entre as autoridades esportivas da Itália. Em uma entrevista à emissora "Radio Kiss Kiss", o ex-técnico e presidente da Associação Italiana de Treinadores de Futebol (AIAC), Renzo Ulivieri, afirmou que o novo torneio "vai matar o futebol".

Assim como Draghi, o presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Gabriele Gravina, destacou a importância dos campeonatos nacionais.

"O futebol é dos torcedores, precisa ser modernizado, mas não distorcido. O futebol é participação e partilha, não é somente de um clube de elite. Queremos defender o mérito esportivo e a possibilidade de cada equipe perseguir um grande sonho, junto com seus fãs", revelou Gravina.

O meio-campista Luis Alberto, da Lazio, publicou em seu Instagram uma mensagem contra a "Superliga": "Não à Superliga Europeia!", escreveu o espanhol.

A iniciativa reúne o chamado "Big Six" da Inglaterra (Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham), os três clubes de maior torcida da Itália (Inter de Milão, Juventus e Milan) e três times da Espanha (Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid). (ANSA).
   

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