Após polêmica, seleção italiana se pronuncia contra racismo

Alguns atletas da Azzurra não participaram de gesto antirracista

Jogadores da Itália celebrando a vitória em cima do País de Gales
Jogadores da Itália celebrando a vitória em cima do País de Gales (foto: EPA)
14:20, 22 JunFLORENÇA ZRS

(ANSA) - O porta-voz da seleção da Itália, Paolo Corbi, declarou nesta terça-feira (22) que todos os jogadores da Azzurra são contra o racismo, embora a maioria dos atletas não tenha se ajoelhado antes da vitória por 1 a 0 sobre País de Gales pela Eurocopa.

Na ocasião, somente os jogadores Emerson Palmieri, Andrea Belotti, Rafael Tolói, Matteo Pessina e Federico Bernardeschi se ajoelharam durante o protesto antirracista do movimento "Black Lives Matter".

"Em nome de toda a equipe, reiteramos que somos contra todas as formas de racismo, discutimos isso e obviamente queremos reafirmar essa posição. Participar ou não de uma forma de protesto, por mais simbólica que seja, não significa ignorar a luta contra o racismo", disse Corbi.

Entre os jogadores da seleção galesa, todos participaram do ato, mesmo que tenha sido de forma rápida e aparentemente sem organização prévia. Nas redes sociais, diversos usuários criticaram os italianos.

"Todos conhecem o exemplo do comportamento de nossos jogadores, o racismo é combatido todos os dias, cada um com seus próprios comportamentos e assim por diante. Quanto ao fato de alguns terem se ajoelhado e outros não, houve uma certa confusão, os jogadores estavam focados em um jogo que era decisivo, porque poderia dar o primeiro lugar do grupo", finalizou o porta-voz.

O ex-premiê Enrico Letta, líder da centro-esquerda italiana, criticou os jogadores da seleção que não participaram do protesto, em uma entrevista a uma rádio pública.

"Eu acho um absurdo e inacreditável a divisão direita-esquerda sobre o racismo. Me incomodou que somente metade da equipe se ajoelhou na frente dos galeses. Todo gesto contra o racismo é merecido. Gestos nunca são suficientes, e não há direita nem esquerda, somos todos antirracistas", disse.

Já o ex-ministro do Interior e senador de extrema direita Matteo Salvini não deixou Letta sem resposta. "O Partido Democrata está tão próximo da vida real dos italianos que Letta encontrou tempo para atacar os jogadores da seleção que não se ajoelharam no início da partida", declarou o político. (ANSA)  

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