Volta do público devolve racismo aos estádios da Itália

Ao menos 5 casos foram registrados nas nove primeiras rodadas

Kalidou Koulibaly, do Napoli, durante um jogo contra o Genoa
Kalidou Koulibaly, do Napoli, durante um jogo contra o Genoa (foto: ANSA)
15:06, 25 OutSÃO PAULO ZRS

(ANSA) - por Renan Tanandone - O tão aguardado retorno dos torcedores aos estádios da Itália vem sendo manchado por uma nova leva de casos de racismo. Em nove rodadas disputadas na Série A, jogadores como Kalidou Koulibaly, Victor Osimhen, Denzel Dumfries, Mike Maignan e Tiemoué Bakayoko já sofreram insultos discriminatórios.

A Lega Serie A, responsável pela gestão da principal divisão do futebol italiano, implementou no início de outubro algumas medidas para combater o problema e punir torcedores racistas.

Uma das regras prevê a proibição do acesso dos criminosos a todas as instalações dos estádios, como aconteceu com o torcedor da Juventus que ofendeu o goleiro Maignan, do Milan, antes do jogo entre as duas equipes no Allianz Stadium, em Turim.

Neste caso, Milan e Juventus se uniram para encontrar o responsável pelos insultos, que foi identificado através das câmeras de segurança do estádio. A partir de agora, o torcedor não poderá entrar em nenhum campo do país, além de ter sido expulso da organizada da qual fazia parte.

Já em Florença, um torcedor da Fiorentina foi banido por cinco anos dos estádios após ter discriminado Koulibaly, do Napoli, logo depois de uma partida entre os dois times no Artemio Franchi. No mesmo dia, Victor Osimhen e André-Frank Anguissa também foram alvos de insultos racistas.

"Superei aquele momento graças aos meus companheiros de equipe. Não dormi por duas noites, mas gostaria de me encontrar com essa pessoa para entender o que se passa em sua cabeça. Continuo na luta contra o racismo, estamos no caminho certo", comentou Koulibaly em uma coletiva de imprensa.

O presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Gabriele Gravina, disse recentemente que as arenas têm tecnologia para encontrar os responsáveis e declarou que eles merecem ser expulsos para sempre dos estádios.

Já Paolo Dal Pino, presidente da Lega Serie A, afirmou que a entidade está trabalhando em uma "campanha de sensibilização" e em "medidas restritivas".

"Tudo que envolve racismo e discriminação é horrível, não faz parte de nós, mas é um problema que, infelizmente, não é visto só em estádios. Estamos trabalhando em duas vertentes: uma comunicacional, com uma campanha de sensibilização, e outra de medidas restritivas ou punitivas. Criamos uma comissão de clubes para encontrar uma forma de proibir a entrada de quem fizer insultos racistas", disse o cartola em entrevista à rádio "Anch'io Sport".

Christos Kassimeris, professor de ciência política da Universidade do Chipre (EUC) e autor do livro "Discriminação no Futebol", afirmou em entrevista à ANSA que as punições aplicadas aos torcedores que ofenderam Maignan e Koulibaly não são o suficiente para conter o racismo.

Segundo ele, medidas como perda de pontos ou até a exclusão do campeonato seriam mais eficazes.

"Todas as medidas e procedimentos necessários estão aí, mas nenhuma associação jamais tomou tal decisão. Embora vários clubes europeus tenham sofrido perda de pontos e até mesmo rebaixamento por irregularidades financeiras, tal penalidade ainda não foi aplicada no caso de incidentes racistas. Enquanto o estigma de um escândalo financeiro não for menos prejudicial do que o de uma ofensa racista, podemos também presumir que os problemas de natureza econômica são muito mais sérios do que jogar bananas em um jogador negro", explicou. (ANSA).
   

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