Antes soberana, esgrima italiana é alvo de críticas

País ainda não faturou nenhum ouro no esporte em Tóquio

Da esquerda para a direita: Martina Batini, Erica Cipressa, Arianna Errigo e Alice Volpi, medalhistas de bronze no florete feminino por equipes
Da esquerda para a direita: Martina Batini, Erica Cipressa, Arianna Errigo e Alice Volpi, medalhistas de bronze no florete feminino por equipes (foto: ANSA)
12:58, 30 JulTÓQUIO ZLR

(ANSA) - Responsável pelo maior número de medalhas na história olímpica da Itália, a esgrima azzurra virou alvo de questionamentos por causa do desempenho abaixo do esperado nas Olimpíadas de Tóquio.

Faltando ainda duas modalidades para a conclusão do programa no Japão, a Itália é a segunda em número de medalhas, com cinco, atrás apenas do Comitê Olímpico Russo (seis), mas não faturou nenhum ouro, algo que não acontecia desde 1980.

Até o momento, a equipe azzurra conquistou três pratas (Daniele Garozzo no florete masculino, Luigi Samele no sabre masculino e sabre masculino por equipes) e dois bronzes (feminino por equipes na espada e no florete).

Ainda faltam as disputas por equipes do florete masculino e do sabre feminino, modalidades em que a Itália está em terceiro e segundo lugares, respectivamente, no ranking mundial.

Curiosamente, o desempenho em número de medalhas até o momento é superior ao dos Jogos do Rio de Janeiro, quando o país subiu ao pódio quatro vezes (um ouro e três pratas), mas a falta de ouros em Tóquio colocou a condução da esgrima italiana na mira das críticas.

Comentarista da emissora pública Rai, a ex-esgrimista Elisa Di Francisca, dona de dois ouros (2012) e uma prata (2016) em Olimpíadas, voltou suas armas contra o treinador de florete da equipe azzurra, Andrea Cipressa, também ele campeão olímpico (1984).

"Na minha opinião, o comissário técnico pode ter algum problema se não consegue obter resultados", declarou. Di Francisca questionou sobretudo as opções de Cipressa no florete feminino por equipes, no qual a Itália perdeu a semifinal para a França (43-45) após ter aberto 11 pontos de vantagem.

A virada foi sacramentada no confronto entre a veterana Arianna Errigo e a francesa Ysaora Thibus, com a italiana perdendo a última parcial por 8 a 3. "Se eu fosse o treinador, teria fechado o assalto final com Alice Volpi [que competiu logo antes] porque Arianna Errigo não estava bem. Arianna é muito emotiva", criticou.

Já há rumores de que o novo presidente da Federação Italiana de Esgrima, Paolo Azzi, quer trocar não apenas Cipressa, mas também o técnico de espada, Sandro Cuomo, campeão olímpico em 1996.

No início da semana, o presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), Giovanni Malagò, foi questionado sobre o desempenho do país na esgrima, mas disse que vai comentar apenas depois do fim das competições.

"Não quero dar um juízo hoje, farei minhas considerações daqui a quatro dias, podem ficar tranquilos. Parece-me mais correto esperar o resultado das provas por equipes", afirmou o cartola na última terça-feira (27).

Resposta

Integrante da equipe masculina de espada, que foi eliminada pelo time russo nas quartas de final em Tóquio, Marco Fichera declarou nesta sexta (30) que só resta "aceitar as críticas e seguir em frente", mas pediu que o esforço dos atletas não seja colocado em dúvida.

"O resultado é decepcionante, as críticas estão aí, e nós as aceitamos, mas não vamos tolerar críticas ao nosso profissionalismo. Dito isso, as críticas [ao desempenho] são justas", acrescentou.

Nas Olimpíadas de Londres, a Itália conquistou sete medalhas na esgrima, sendo três de ouro, duas de prata e duas de bronze; em Pequim, o mesmo número de pódios, mas com dois ouros e cinco bronzes.

A Itália lidera o ranking histórico de medalhas na esgrima, com 130 no total (49 ouros, 46 pratas e 35 bronzes). Esse esporte também é a principal fonte de medalhas para o país nas Olimpíadas, com mais do que o segundo e o terceiro colocados (ciclismo e atletismo, ambos com 60) somados.

A esgrima olímpica era historicamente dominada por um pequeno grupo de países, como Itália, França, Hungria e Rússia/União Soviética, mas tem se democratizado para lugares com menos tradição, como Estônia e Hong Kong, que venceram em Tóquio suas primeiras medalhas de ouro no esporte. (ANSA)

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