Terremoto de 6 graus atinge coração da Itália e mata centenas de pessoas

O tremor atingiu as regiões de Lazio e Marcas

Terremoto de 6,2 devasta regiões do coração da Itália (foto: ANSA)
07:53, 25 AgoROMA ZLR

(ANSA) - Um terremoto de 6 graus na escala Richter atingiu na madrugada desta quarta-feira (24) o centro da Itália, devastando cidades inteiras, como Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto.

 

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, afirmou que o tremor “deixou ao menos 120 mortos” e 368 feridos, mas admitiu que este número pode aumentar, já que dezenas de pessoas ainda estão desaparecidas e sendo resgatadas.

 

“Os feridos foram levados para fora de Amatrice e Accumoli com helicópteros e ambulâncias. Foram 368 somente nesta manhã”, informou Renzi. “Há alguns problemas para o reconhecimento dos corpos, mas estamos trabalhando nisso”.

 

Horas depois do pronunciamento do premier, a Defesa Civil da Itália informou que subiu para 159 o número de vítimas do terremoto e que esse número ainda pode aumentar. Destas, 106 vítimas são de Amatrice e Accumoli e 53 em Arquata - a maioria de Pescara del Tronto.

 

A declaração de Renzi foi dada em em Rieti, uma das províncias mais afetadas pelo abalo sísmico, onde o premier também destacou que será preciso um “longo período de gestão” para lidar com a emergência provocada pelo terremoto.

 

“A emergência demandará um longo período de gestão. Deveremos estar, todos, à altura deste desafio”, disse.

 

No entanto, Renzi evitou antecipar detalhes das medidas para reconstruir as cidades afetadas. “Este tema é muito prematuro para entrar em discussão, mas todos nós sabemos perfeitamente que a credibilidade e a honra de todos garantirão uma verdadeira reconstrução, que consentirá que todos os moradores retomem suas vidas”, comentou, agradecendo o trabalho dos voluntários e do Corpo de Bombeiros.

 

Renzi anulou todos os seus compromissos, inclusive uma viagem a Paris que estava marcada para esta quinta-feira (25). Ele participaria do encontro do Partido Socialista Europeu (PSE) ao lado do presidente da França, François Hollande.

 

"Não deixaremos ninguém sozinho. Nenhuma família, nenhuma cidade, nenhum distrito", disse o premier, agradecendo a todos "os italianos que dão o melhor de si nos momentos de dificuldade". "Obrigado a todos que intervieram e cavaram com as mãos nuas"

 

O presidente Sergio Mattarella, que estava em Palermo, sua cidade natal, embarcou para Roma assim que foi informado do desastre. "O meu primeiro pensamento vai às tantas vítimas desse devastador sismo que atingiu parte do território nacional", disse o chefe de Estado.

Além disso, ele destacou que é preciso "usar todas as forças" para salvar vidas, curar feridos e oferecer às melhores condições possíveis aos desabrigados. "Depois será necessário um rápido esforço para garantir a reconstrução dos centros destruídos e a retomada das atividades produtivas", ressaltou Mattarella.

 

 

Terremoto

 

 O tremor foi registrado às 3h36 (hora local), com epicentro a 2 km de Accumoli, situada a 145 km de Roma, onde o sismo também foi sentido.

 

Seu hipocentro - ponto onde se origina um terremoto - ocorreu a apenas 4 km de profundidade. Às 4h32, duas réplicas foram percebidas, uma nas proximidades de Norcia, na região da Úmbria, e outra em Castelsantangelo sul Nera, em Marcas. Nestes casos, o hipocentro foi a 8 e 9 km de profundidade, respectivamente.

 

Nas horas seguintes, mais de 50 réplicas com magnitudes superiores a 2 graus foram registradas.

 

Cidades atingidas e vítimas

 

A cidade de Amatrice foi a mais atingida e teve sua avenida principal devastada pelo tremor. "É um drama, metade da cidade não existe mais", declarou o prefeito Sergio Pirozzi.

 

Para piorar, o próprio hospital municipal não está em condições de ser usado. "A situação é dramática, muitas pessoas estão sob os escombros", acrescentou. Os feridos recebem os primeiros socorros na rua e depois são transferidos de ambulância para Rieti, a 60 km de distância.

 

 

Em Accumoli, a principal via de acesso está obstruída em diversos pontos por rochas derrubadas pelo sismo. É possível ver em vários locais construções destruídas e carros cobertos por poeira e escombros. Algumas pessoas passaram a madrugada de pijamas na rua, e o número de desalojados já chega a 2,5 mil, dos quais 2 mil são turistas, já que a cidade só tem 600 habitantes. "Tentaremos ajudar a todos, mas será melhor se forem embora", afirmou o prefeito Stefano Petrucci.

 

Outras pessoas morreram em Arquata del Tronto (Marcas) que, assim como Amatrice e Accumoli, fica a cerca de 60 km de Áquila, cidade devastada por um terremoto que matou mais de 300 pessoas em 2009. Uma delas é uma criança de apenas nove meses, retirada dos escombros da casa de sua família. Ela estava no quarto com os país, que conseguiram escapar com vida.

 

"Aqui não tem mais nada. Só escombros. É verdadeiramente impressionante, parece um bombardeio", declarou a presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, ao visitar Pescara Del Tronto, distrito de Arquata.

 

Segundo o chefe da Proteção Civil no país, Fabrizio Curcio, o sismo desta quarta-feira é comparável em intensidade àquele de sete anos atrás.

 

 

 

 

Vaticano

 

Em sua audiência geral desta quarta-feira, o papa Francisco exprimiu sua "grande dor" pelo terremoto que "devastou zonas inteiras e deixou mortos e feridos" na região central da Itália. O Pontífice disse ter ficado "fortemente comovido" ao saber que a cidade de Amatrice foi destruída e que há crianças entre os mortos.

 

"Exprimo minha proximidade às pessoas presentes em todos os lugares atingidos pelo tremor, a todas as pessoas que perderam entes queridos e àquelas que ainda se sentem afetadas pelo medo", acrescentou.

 

Além disso, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) determinou a imediata destinação de 1 milhão de euros (R$ 3,66 milhões) para as operações de socorro nas áreas atingidas pelo sismo. O dinheiro será usado para cobrir necessidades especiais e atender às primeiras emergências.

 

A entidade também fará uma arrecadação em todas as igrejas do país em 18 de setembro, quando acontece seu 26º Congresso Eucarístico. (ANSA)

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