Novos terremotos atingem a região central da Itália

Tremor foi percebido nas regiões de Lazio, Marcas e Abruzzo

Novos terremotos atingem a região central da Itália (foto: ANSA)
20:17, 18 JanROMA ZLR

(ANSA) - Ainda lutando para se recuperar dos tremores que devastaram cidades como Amatrice, Accumoli e Norcia no ano passado, a zona central da Itália voltou a registrar fortes terremotos nesta quarta-feira (18).

Às 10h25 (7h25 em Brasília), um tremor de 5.1 na escala Richter sacudiu as regiões de Abruzzo, Lazio e Marcas, no coração do país. O sismo teve epicentro a 9 km de profundidade, sob a cidade de Montereale, em Abruzzo, cuja capital, Áquila, a 30 km de distância, foi devastada por um terremoto com 309 mortos em abril de 2009.

Menos de uma hora depois, às 11h14, um sismo ainda mais forte, de 5.5, atingiu novamente a província de Áquila. O tremor foi sentido até em Roma e gerou pânico. Testemunhas relataram que seus móveis balançaram dentro de casa, e as autoridades decidiram fechar os serviços de metrô da capital por precaução. Além disso, algumas escolas foram evacuadas, e em outras os professores levaram os alunos para o pátio ou os colocaram debaixo das carteiras.

Já às 11h25, um novo terremoto, agora de 5.4, chacoalhou a mesma região. Também na província de Áquila, às 14h34, ocorreu um sismo de 5.1, o quarto superior a 5.0 em cerca de quatro horas. Além disso, durante todo o dia, foram registradas mais de 100 réplicas de menor intensidade.

O sismólogo Alessandro Amato, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), disse que nunca houve uma sequência de terremotos na Itália como a desta quarta. "É um fenômeno novo na história recente devido ao modo como se manifestou", afirmou, em entrevista à ANSA.

O primeiro-ministro Paolo Gentiloni, em visita oficial a Berlim, está em contato direto com o chefe da Proteção Civil, Fabrizio Curcio, para acompanhar a situação.

Essa mesma zona do país sofreu com sismos em sequência no segundo semestre de 2016. Um deles, de magnitude 6.0, no último dia 24 de agosto, deixou 299 mortos, a maioria na cidade de Amatrice, no Lazio, que fica a poucos quilômetros do epicentro do primeiro tremor desta quarta-feira.

Até o momento, foram registrados apenas alguns desabamentos em cidades do centro da Itália, principalmente em Campotosto, na província de Áquila. Além disso, diversas escolas da província de Rieti, onde fica Amatrice, foram evacuadas por conta do terremoto, assim como na região de Marcas.

Norcia e Accumoli, também atingidas pelos tremores do ano passado, não registraram problemas. De acordo com o INGV, os tremores desta quarta nasceram do mesmo sistema de falhas ativado no último dia 24 de agosto.

Frio e neve

Além de lutar para se recuperar dos terremotos de 2016, o centro da Itália ainda convive com uma intensa onda de frio, que tem dificultado a vida das milhares de pessoas que ainda estão desalojadas. A região de Abruzzo estuda até decretar estado de emergência, e 87 mil cidadãos estão sem energia por conta das nevascas.

"É uma situação bastante complicada. Os sismos foram advertidos de maneira clara em toda a parte central, até na capital. Quando terminarmos as verificações, poderemos dizer se há situações particularmente difíceis ou não", declarou Curcio.

Já Renzo Di Sabatino, presidente da província de Teramo, em Abruzzo, fez um apelo por ajuda. "Há locais isolados pela neve, não conseguimos saber se há danos. Precisamos de ajuda, o Exército deve intervir", declarou, lembrando que algumas cidades estão sem energia há dois dias.

Governo

Os terremotos desta quarta-feira pegaram tanto o primeiro-ministro Paolo Gentiloni quanto o presidente Sergio Mattarella fora do país, mas ambos disseram estar acompanhando a situação em contato direto com Roma.

Em visita a Berlim, onde se reuniu com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o premier lamentou os tremores, porém comemorou o fato de não haver nenhuma vítima até o momento. "Quero começar com um pensamento compartilhado com Angela para as populações das áreas afetadas por terremotos muito sérios. Por sorte, até o momento não há vítimas, mas os frequentes tremores são um fator de alarme para essas populações", declarou Gentiloni, durante um pronunciamento conjunto com Merkel.

Em um telefonema à ministra da Defesa da Itália, Roberta Pinotti, o chefe de governo pediu-lhe para reforçar o empenho do Exército e "garantir a proximidade do Estado" às pessoas atingidas pelos sismos.

Já Mattarella está em visita oficial a Atenas, capital da Grécia, mas falou com jornalistas sobre os terremotos. "Cada tremor agrava as condições dos nossos concidadãos, mas aumenta também a determinação de ajudá-los", disse o presidente da República. No entanto, ele lembrou que os trabalhos de assistência estão sendo prejudicados pela onda de frio que cobre o país.

Tabela dos principais terremotos de hoje

Horário - 10h25 - Terremoto de 5.1 graus

Horário - 11h14 - Terremoto de 5.5 graus

Horário - 11h25 - Terremoto de 5.4 graus

Horário - 14h34 - Terremoto de 5.1 graus

Morte em Castel Castagna

Um corpo de um homem de 83 anos foi encontrado sob os escombros de um prédio em Castel Castagna, na província de Teramo, região de Abruzzo. Segundo a Defesa Civil, o prédio desabou após a série de terremotos que atingiu a Itália hoje.


Essa é a primeira vítima fatal confirmada do sismo. Outro homem, de 60 anos, está desaparecido após uma avalanche de neve no bairro de Ortolano, na cidade de Campotosto, em Áquila, também em Abruzzo, informa a Polícia Florestal e os Carabinieri. As operações de busca foram suspensas por falta de condições climáticas.

O idoso foi levado pela avalanche ao lado do irmão, que foi resgatado pelos policiais. No entanto, ele ficou sob uma camada de alguns metros de neve.

 

Hotel soterrado em Pescara del Tronto

O governador de Pescara del Tronto afirmou que pode haver vítimas soterradas no Hotel Rigopiano. "Neste momento, em Rigopiano está acontecendo uma tempestade de neve. Um caminhão está a caminho do local para liberar a estrada de acesso à área do hotel. Lá tinham 20 hóspedes", escreveu Di Marco em sua conta no Twitter.

"Infelizmente, aconteceu uma tragédia terrível que parece existir vítimas, mas ainda é preciso ser confirmado", concluiu ele. (ANSA)

 

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