Após terremoto, avalanche atinge hotel na Itália e deixa vários mortos

Hotel atingido fica em Farindola, em Pescara

Após terremoto, avalanche atinge hotel na Itália e deixa vários mortos (foto: EPA)
17:55, 19 JanROMA ZBF

(ANSA) - Um hotel na cidade de Farindola, na província italiana de Pescara, foi atingido por uma avalanche na noite de ontem (18) e deixou dezenas de pessoas soterradas.

De acordo com o subsecretário regional de Pescara, Mario Mazzocca, havia 35 pessoas no hotel no momento do acidente.

"As pessoas registradas oficialmente na sede da Polícia são, ao menos, 22 hóspedes e sete funcionários. Mas, é verdade a possibilidade de que havia mais hóspedes e o número certo deve ser esse", disse Mazzocca.

O número revelado pelo representante é mais alto que a estimativa anterior, que apontavam que 30 pessoas estavam no local no momento do impacto. Em entrevista à ANSA, o líder das operações de busca e resgate, Antonio Crocetta, disse que "há muitos mortos". 

As pessoas soterradas estão há horas debaixo dos escombros e expostos às baixas temperaturas, já que neva no local.

O hotel teria desabado parcialmente, enquanto a outra parte estaria debaixo da neve trazida pela avalanche.

“Eu me salvei porque sai do hotel para pegar uma coisa no carro”, disse o médico Giampiero Parete, de 38 anos, que ontem deu o alarme da avalanche. Sua esposa e seus filhos ainda estão sob os escombros. “A avalanche chegou e eu fiquei submerso na neve, mas consegui sair. O carro não ficou atolado e eu esperei as equipes de socorro chegar ali”, contou.

Especialistas acreditam que a avalanche tenha sido provocada pelos quatro terremotos que atingiram a zona central da Itália na manhã de ontem (18), todos com magnitude de 5.0 a 5.4 graus na escala Richter.

O hotel fica na região de Abruzzo, uma das mais afetadas pela neve e pelos terremotos. Cerca de 300 mil pessoas estavam sem energia elétrica no começo da semana na região porque o gelo prejudicou os sistemas de transmissão. Em sua página no Twitter, o hotel tinha informado os hóspedes que estava sem linha telefônica por causa das más condições climáticas.


Os tremores desta quarta foram sentidos até na capital da Itália, Roma, que fechou as escolas e os serviços de metrô.

Desde agosto do ano passado, a zona central da Itália sofreu dezenas de terromotos e réplicas, gerando uma média de 1 tremor a cada 5 minutos, devido aos movimentos tectônicos na região.
Pedidos de resgate e operações.

Dois hóspedes do hotel enviaram uma mensagem de texto aos serviços de emergência da Itália pedindo ajuda. “Ajuda, ajuda, estamos morrendo de frio”, diz o texto.

Resgate

As equipes de resgate estão usando skis de patinação para chegar aos escombros do hotel. A neve no local chega a uma altura de 4 metros e impediu até o acesso dos carros de resgate e ambulâncias, que tiveram que estacionar a uma distância de 9 km. 

“Chamamos pelas pessoas, mas ninguém responde”, confessou um dos socorristas.

Até o momento, foram retirados dos escombros três corpos. 

As equipes de socorro conseguiram chegar a uma distância de 700 metros da sede do hotel. Após 12h de operações, os bombeiros reativaram a turbina de um motor para desobstruir o caminho de neve. O equipamento tinha ficado sem gasolina, prejudicando as operações de resgate, mas os socorristas carregaram galões de combustível nos braços, caminhando com ski de patinação.

O primeiro alerta de avalanche foi dado às 19h56 de ontem (16h56 de Brasília). Às 23h locais (20h de Brasília), as equipes de resgate informaram que estavam partindo em direção ao hotel, mas que levariam cerca de duas horas para chegarem ao posto. Naquele momento, falava-se em apenas 3 desaparecidos. O tamanho da tragédia só foi percebido durante a madrugada de hoje. 

Premier fala em fato 'sem precedentes'

O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, afirmou que os terremotos e a forte onda de frio e neve que atingem a Itália criaram uma rara situação sem precedentes no país. O líder do governo está na sede da Defesa Civil de Rieti, na região central da Itália, uma das atingidas pelo sismo desta quarta-feira (18).

"Perante esta situação, todas as instituições do Estado se mobilizaram, tanto civis como militares. O primeiro objetivo é atingir todos os bairros, ao menos para ter um contato, e verificar que não há pessoas que corram risco de vida", disse o premier nesta quinta-feira (19).

Gentiloni ainda destacou que "o segundo objetivo do governo será retomar a energia elétrica em todas as residências".

"Peço a todos para multiplicar os esforços, para mostrar sobriedade respeitando a dificuldade da situação, o empenho das forças civis e militares e a dor das famílias que tiveram perdas súbitas. Peço a todos os italianos para reforçarem a solidariedade em relação às populações atingidas", pediu o primeiro-ministro.

Até o momento, uma morte foi confirmada em Castel Castagna, na província de Teramo, em Abruzzo, por causa da série de quatro terremotos ocorridos nesta quarta. Outro idoso está desaparecido em Campotosto, em Áquila, levado por uma avalanche. No entanto, a situação mais preocupante é no Hotel Rigopiano, em Pescara. 

Muitos dos prédios e casas que sofreram desabamentos por causa do terremoto caíram porque havia uma espessa camada de neve sobre os telhados, causando um peso extra nas estruturas.

Presidente diz que não poupará esforços

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, afirmou que "nenhum esforço será poupado na tentativa de salvar vidas humanas e de socorrer as pessoas em dificuldades".

"Agradeço pela abnegação dos socorristas que operam em condições extremas provocadas pela contemporaneidade dos abalos sísmicos e das excepcionais nevascas. Essas condições pedem à comunidade nacional grande união", disse o presidente.

Mattarella ainda ressaltou que cada italiano "deve agir com inteligência e responsabilidade para contribuir e aliviar os sofrimentos das pessoas envolvidas". (ANSA)

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