Lombardia e Vêneto farão plebiscito por autonomia na Itália

As duas regiões são governadas pela extrema direita

Domo de Milão, capital da Lombardia, que terá plebiscito sobre autonomia
Domo de Milão, capital da Lombardia, que terá plebiscito sobre autonomia (foto: ANSA)
16:00, 21 AbrBERGAMO ZLR

(ANSA) - As regiões da Lombardia e do Vêneto, no norte da Itália, farão um plebiscito no próximo dia 22 de outubro para conquistar mais autonomia em relação a Roma.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (21) pelo governador lombardo, Roberto Maroni, que pertence ao partido de extrema direita Liga Norte, assim como Luca Zaia, que comanda o Vêneto. Os dois queriam coincidir a consulta popular com o primeiro turno das eleições municipais, em 11 de junho, mas não receberem resposta do governo nacional.

"Acredito que nenhum lombardo possa votar 'não' em um plebiscito que diz: você quer que uma parte relevante dos 53 bilhões de euros em impostos lombardos continue aqui, para ajudar quem precisa, para construir hospitais?", declarou Maroni.

Vizinhas, Lombardia e Vêneto estão entre as regiões mais ricas e desenvolvidas da Itália, e seus governadores há anos tentam fazer com que uma parcela maior dos impostos pagos pelos seus habitantes seja revertida para questões locais.

Em suma, o plebiscito não terá caráter separatista, mas sim o objetivo de ampliar a autonomia fiscal das duas regiões. "Se o 'sim' vencer, ou o governo nos dá autonomia ou perderá o apoio de duas das regiões mais importantes do norte", acrescentou o governador da Lombardia.

O próprio prefeito de Milão, Giuseppe Sala, que pertence ao centro-esquerdista Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Paolo Gentiloni, disse que aconselhará os cidadãos a votarem "positivamente". "Esse não é um tema que pertence à Liga, mas a todos", declarou. No entanto, Sala acredita que o plebiscito será "absolutamente inútil", uma vez que Roma já tem mostrado "claros sinais de abertura".

Representando o governo, o ministro das Políticas Agrícolas da Itália, Maurizio Martina, possível adversário de Maroni nas próximas eleições na Lombardia, disse que as duas regiões deveriam pedir a criação de uma mesa de negociações a Gentiloni para "economizar 46 milhões de euros", que é a estimativa do custo da votação.

A consulta popular também será a primeira na Itália realizada por meio de voto eletrônico. (ANSA)

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