Veneza poderá cobrar ingresso para Praça San Marco

Medida tem como objetivo diminuir fluxo de turistas na cidade

Veneza poderá cobrar ingresso para Praça San Marco
Veneza poderá cobrar ingresso para Praça San Marco (foto: ANSA)
16:52, 28 AbrVENEZA ZAR

(ANSA) - Um dia após a Câmara de Veneza ter aprovado a instalação de um sistema para "contar pessoas" em pontos estratégicos da cidade, uma outra medida, mais polêmica, para controlar o fluxo de turistas que chegam diariamente no município foi discutida nesta sexta-feira (28): o da criação de um ingresso para se entrar na Praça San Marco.

Ter que comprar um ingresso para poder entrar em um dos locais mais famosos da cidade, reservando uma data e um horário com antecedência, é "uma eventualidade que existe, não para breve, ou seja, em um percurso que [ainda será] definido", disse a assessora municipal para o Turismo, Paola Mar, à ANSA.

"San Marco é uma área monumental. Estamos validando também a proposta de uma entrada limitada na área, com eventuais ingressos, verificando que devido ao perfil técnico e jurídico é possível", explicou a italiana.

As primeiras experiências de um "número fechado" para a região da praça poderão entrar em vigor já no próximo verão europeu. No entanto, ainda não há uma confirmação de data ou se realmente haverá um ingresso para limitar a entrada de turistas.

A ideia do ticket é apenas uma das 23 propostas de projetos feitas por associações, sindicatos e cidadãos ouvidos nos últimos meses por comissões municipais para conseguir regular o fluxo de turistas de Veneza.

Mar também ressaltou que a decisão de fechar a praça em determinados dias ou faixas horárias só acontecerá depois "de um percurso acertado com todas as instituições e realidades envolvidas na administração da área".

Em uma das propostas que envolvem o ingresso está a de Marco Scurati, veneziano de 48 anos ex-dirigente da Telecom que atualmente trabalha com turismo e que afirma que sua ideia conseguiria diminuir 4 milhões de turistas por ano na cidade.

Segundo ele, a ideia é a de cobrar 5 euros por ticket que, multiplicado por uma estimativa baixa de 12 milhões de turistas que deverão visitar o local por ano, deve trazer cerca de 60 milhões de euros para os cofres do município.

De acordo com seu plano, o "número limite", e consequentemente o ingresso, não seriam destinados aos moradores da cidade e das ilhas, que têm o direito de circular pela praça livremente, nem aos turistas que têm reservas de hotéis no município, que, segundo ele, ajudam no comércio e no turismo local.

Para Scurati, a medida focaria principalmente nos turistas que fazem paradas de menos de um dia em Veneza, descendo de navios de cruzeiros por apenas algumas horas e fazendo da cidade um caos.

Segundo o italiano, essas pessoas "não trazem benefícios pelos custos extra de serviços" e fazem com que seja impossível "se movimentar pelas ruas", o que não é bom nem para eles, já que não conseguem conhecer a cidade de maneira certa. (ANSA)

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