Como prometido, EUA faz ressalva em texto final do 'G7 do Ambiente'

Trecho sobre as mudanças climáticas não foi assinado pelo país

Scott Pruitt só ficou em primeira reunião do G7 em Bolonha (foto: ANSA)
11:42, 12 JunBOLONHA ZGT

(ANSA) - O texto final do encontro entre os ministros de Meio-Ambiente que fazem parte do G7, divulgado nesta segunda-feira (12) em Bolonha, na Itália, não tem a assinatura dos Estados Unidos na parte referente às mudanças climáticas e aos bancos de desenvolvimento.

Os EUA se comprometeram apenas com as questões ligadas ao processamento e descarte de lixo, com a limpeza dos oceanos, com a criação de impostos ambientais e com o fim de subsídios às atividades danosas ao meio-ambiente.

Apesar dos ministros falarem em "unanimidade" com o documento do "G7 do Ambiente", há uma ressalva na parte que remete aos compromissos com o Acordo sobre o Clima, assinado em Paris e ratificado no ano passado por 195 países.

O governo Barack Obama assinou o documento, mas o atual presidente dos EUA, Donald Trump, retirou sua nação do acordo e somou-se à Nicarágua e à Síria como os únicos a ficarem de forma do compromisso.

"Nós, os Estados Unidos da América continuamos a demonstrar através de ações, tendo reduzido as nossas emissões de CO2, como demonstrado no atingimento em nível nacional dos níveis de CO2 pré-1994. Os Estados Unidos continuará a se empenhar com os parceiros internacionais chaves de um modo que seja coerente com nossas prioridades nacionais, preservando seja uma forte economia assim como uma ambiente salubre", diz a ressalva assinada pelos norte-americanos.

"Por consequência disso, nós os Estados Unidos, não aderimos a esta parte do comunicado do clima e das MDBs [Bancos Multilaterais de Desenvolvimento], agindo assim em respeito ao nosso recente anúncio de retirar-se e cessar imediatamente a atuação do Acordo de Paris e os compromissos financeiros associados", informou ainda a nação.

Com isso, o capítulo que fala sobre as alterações climáticas foi assinado apenas por ministros de seis países - Itália, Alemanha, Japão, Canadá, Reino Unido e França.

A falta de compromisso com os norte-americanos sobre o tema já era esperada. Ontem (11), no início dos debates, o diretor da Agência Federal para o Ambiente, Scott Pruitt, permaneceu apenas na reunião inicial dos ministros, deixando a Itália durante os debates da tarde por conta de um "compromisso já agendado" com Trump.

Em seu lugar, ficou a vice-diretora, Jane Nishida. Fontes ligadas aos ministros que participaram do encontro afirmam que essa "mudança" mostra que os EUA "não estão comprometidos" com a agenda ambiental do G7 e deram "pouca atenção" ao encontro.

O ministro do Ambiente da Itália, Gian Luca Galletti, havia afirmado antes dos debates dessa segunda-feira que o Acordo de Paris "é irreversível e não negociável".

"Nós tomamos conhecimento da postura dos EUA que querem continuar a política de redução de CO2 mesmo fora do Acordo de Paris. E, pelo o que eles representam no mundo, queremos manter aberto o diálogo e continuá-lo. Mas, fora do Acordo de Paris, não há instrumentos para atingir os objetivos", disse Galletti. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA