Após décadas, Battisti chega à Itália e começa a cumprir prisão perpétua

Italiano ficará detido no centro de Oristano

Após décadas, Battisti chega à Itália e começa a cumprir prisão perpétua (foto: ANSA)
16:33, 14 JanROMA ZBF

(ANSA) - Depois de quase 40 anos, Cesare Battisti finalmente volta à Itália. O avião Falcon 900 do governo italiano pousou no aeroporto de Ciampino, em Roma, às 11h40 (8h40 de Brasília). A aeronave tinha decolado na noite de ontem (13) do aeroporto internacional de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde Battisti foi preso pela Interpol. 

Battisti desembarcou do avião cerca de 10 minutos após o pouso às 11h50 locais (8h50 de Brasília). Um grupo de sete policiais entrou no avião para retirar Battisti, enquanto uma dezena de outros agentes armados com metralhadoras esperavam de pé ao lado da escada da aeronave.

O ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, além do ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, aguardavam Battisti no aeroporto. 

Battisti aparentava estar tranquilo e em nenhum momento abaixou o olhar diante dos agentes e da imprensa. “Agora sei que irei para a prisão”, disse a agentes de operações antiterroristas que o receberam no aeroporto.

O italiano pareceu estar conformado com a prisão e agradeceu o tratamento que recebeu dos agentes, além das roupas extras que lhe deram durante o voo para encarar as baixas temperaturas do inverno europeu.

O ministro da Justiça da Itália, Alfonso Bonafede, anunciou que  Battisti não ficará preso no centro de detenção de Rebibbia, como havia sido informado anteriormente. Por questões de segurança, Battisti será enviado para Oristano, na Sardenha.

A informação foi dada durante uma coletiva de imprensa nesta horas após Battisti chegar à Itália. Ao desembarcar, Battisti foi levado a uma delegacia na rua Patini, na capital, para cadastro fotográfico. A primeira informação apontava que Battisti seria, então, enviado para o centro de detenção de Rebibbia, que fica perto de Roma.

"Queria ressaltar que garantimos o percurso mais veloz e seguro para que Battisti chegasse à Itália. Conversei com o presidente do Brasil e agradeço pela mudança de rota que foi determinante. Obrigado também ao governo boliviano pela colaboração", afirmou, por sua vez o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

Conte, Bonafede e o ministro do Interior, Matteo Salvini, deram uma coletiva de imprensa conjunta no Palácio Chigi, em Roma, sobre a prisão de Battisti.

Salvini, por sua vez, disse que as autoridades italianas "estão trabalhando em outra dezena" de casos de "terroristas" que precisam ser extraditados. "Mas não vou entrar no mérito do nome deles nem do local onde estão".

O ministro já vinha dizendo que pretende iniciar uma caça a outros condenados italianos que vivem no exterior. "A prisão de Cesare Battisti não é um ponto final, mas um começo", comentou. "Tenho certeza de que as forças de ordem, com os serviços de inteligência, levarão à prisão outras dezenas de delinquentes e assassinos que estão viajando pelo mundo e aproveitando a vida", disse Salvini.


De acordo com o procurador-geral de Milão, Roberto Alfonso, e pelo procurador substituto, Antonio Lamanna, Battisti cumprirá a sentença de prisão perpétua sem possibilidade de benefícios na execução da pena. Ele deve ficar sozinho em uma cela e permanecer em regime de isolamento diurno por seis meses.  

As autoridades italianas também querem investigar a suposta rede de apoiadores e financiadores de Battisti. Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos e considerado terrorista, viveu anos no exterior, como França, México e Brasil, e recebeu ajuda e dinheiro de simpatizantes.

Battisti foi um militante de extrema esquerda do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Ele foi condenado à revelia na Itália e passou décadas como fugitivo da Justiça italiana. No Brasil, ele conseguiu asilo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro, porém, sua prisão foi decretada no Brasil e o então presidente Michel Temer autorizou sua extradição. Diante da situação, Battisti fugiu.

O italiano foi encontrado e preso na noite de sábado (12) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e extraditado imediatamente, em um voo direto para Roma. (ANSA)

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