Cidade francesa retira cidadania honorária de Battisti

Italiano perdeu reconhecimento dado pelo prefeito de Frontignan

Cidade francesa retira cidadania honorária de Battisti (foto: Reprodução / Twitter)
17:58, 01 AbrPARIS ZCC

(ANSA) - O município de Frontignan, no sul da França, decidiu nesta segunda-feira (1) retirar a cidadania honorária de Cesare Battisti, após o italiano admitir sua participação nos quatro homicídios pelos quais foi condenado à prisão perpétua.
   

O anúncio foi feito pelo prefeito da cidade Pierre Bouldoire, depois que inúmeras pessoas, incluindo a oposição e intelectuais, protestaram contra o reconhecimento dado ao ex-membro do grupo terrorista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

De acordo com Bouldoire, a honraria havia sido concedida "ao autor de romances policiais e várias vezes convidado para o FIRN (Festival Internacional do Romance)" em 2005.
   

"Reconhecendo alguns dos fatos atribuídos a ele pela justiça italiana e independentemente das condições e razões para essa admissão, Cesare Battisti efetivamente perdeu seu status de cidadão honorário e agora deve cumprir sua sentença", explicou o prefeito.
   

O italiano foi convidado três vezes para participar do festival de Frontignan: em 1998, 1999 e 2001. Quando ele foi detido em Paris em 2004 e ameaçado de ser extraditado para a Itália, a cidade se solidarizou e o reconheceu como cidadão honorário concedendo-lhe uma medalha simbólica.

Battisti foi condenado na Itália por terrorismo e participação em quatro assassinatos cometidos na década de 1970, período marcado por uma intensa violência política e conhecido como "Anos de Chumbo". Ele passou quase 40 anos foragido, sendo boa parte desse período vivido no Brasil. Em dezembro passado, após o então presidente Michel Temer ter ordenado sua extradição, o italiano fugiu para a Bolívia, onde foi detido no mês seguinte.
   

Atualmente, Battisti cumpre pena de prisão perpétua na penitenciária de Oristano, na Sardenha, em regime de isolamento diurno por seis meses.

Novo Livro -

Ontem (31), a editora francesa "Les Editions du Seuil", por sua vez, anunciou a intenção de adiar o lançamento do último livro de Battisti, previsto para outubro, considerando que a publicação agora "seria um pouco indecente". No entanto, a empresa não excluiu a possibilidade de lançar nos próximos anos.  (ANSA)

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