Após 'caso Carola', ONG resgata 54 migrantes no mar

Salvini disse que não abrirá portos da Itália à Mediterranea

Migrantes resgatados pela ONG Mediterranea Saving Humans, em foto de arquivo
Migrantes resgatados pela ONG Mediterranea Saving Humans, em foto de arquivo (foto: ANSA)
19:36, 04 JulROMA ZLR

(ANSA) - Após o caso envolvendo a capitã alemã Carola Rackete e a ONG Sea Watch, a Itália pode se ver no centro de uma nova disputa com entidades humanitárias que fazem resgates no Mar Mediterrâneo Central.

A ONG Mediterranea Saving Humans anunciou nesta quinta-feira (4) que socorreu 54 pessoas de um bote inflável em dificuldades na área de busca e salvamento (SAR) da Líbia e pede a indicação de um "porto seguro" para atracar.

"Felizes em ter tirado 54 vidas humanas do inferno da Líbia. Agora é preciso um porto seguro", disse a entidade no Twitter. A área SAR e o trecho de mar designado para operações de socorro de cada país.

O governo italiano questiona o fato de as ONGs do Mediterrâneo atuarem na zona de busca e salvamento da Líbia, mas as organizações afirmam que o país africano, fragmentado por oito anos de guerras de milícias, não pode ser considerado um porto seguro.

Após um bombardeio ter matado dezenas de migrantes em Trípoli, o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, desta vez não cobrou que o navio se dirigisse à Líbia, mas sim à Tunísia.

"Os imigrantes pegos pela Mediterranea estão em águas líbias e, atualmente, estão mais perto da Tunísia do que de Lampedusa em dezenas de milhas náuticas. Se essa ONG se preocupa de verdade com esses imigrantes, que siga para o porto seguro mais próximo, ou saiba que ativaremos todos os procedimentos para evitar que o tráfico de humanos tenha a Itália como ponto de chegada", ameaçou.

Salvini já comprou briga com praticamente todas as ONGs que operam no Mediterrâneo, sendo que a última delas foi a alemã Sea Watch, cujo navio foi impedido de atracar em Lampedusa. A capitã da embarcação, Carola Rackete, no entanto, desafiou o ministro, navegou em águas italianas sem permissão e forçou a entrada no porto de Lampedusa.

Após o desembarque dos 40 migrantes a bordo, ela foi presa sob a acusação de "violência contra navio de guerra" ao ter colidido com um barco de patrulha da Guarda de Finanças. Uma juíza da Sicília, contudo, revogou a prisão e libertou Rackete. (ANSA)

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