Putin e Mattarella expressam 'preocupação' com Líbia

Presidentes da Itália e da Rússia se reuniram em Roma

Sergio Mattarella recebe Vladimir Putin em Roma
Sergio Mattarella recebe Vladimir Putin em Roma (foto: ANSA)
14:30, 04 JulROMA ZLR

(ANSA) - O agravamento dos conflitos na Líbia foi tema da reunião desta quinta-feira (4) entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Itália, Sergio Mattarella, no Palácio do Quirinale, em Roma.

Segundo fontes da Presidência da República italiana, os dois líderes expressaram uma "preocupação comum" com a guerra civil no país africano, que enfrenta disputas entre as forças do primeiro-ministro Fayez al Sarraj e do general Khalifa Haftar.

Durante o encontro, Putin destacou a importância da "estabilidade líbia" para a Itália e para a Europa, mas ressaltou a diferença de posições entre "países próximos" sobre a solução da crise.

A Itália, antiga metrópole da Líbia, apoia o governo de união nacional chefiado por Sarraj, baseado em Trípoli; já a França é tida como simpática a Haftar, que comanda um conjunto de milícias autoproclamado Exército Nacional Líbio e controla o leste do país.

Haftar lançou uma ofensiva para conquistar Trípoli em 4 de abril, com o objetivo de unificar o território da Líbia sob seu poder. O país está fragmentado entre milícias desde a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e hoje, na prática, não existe enquanto Estado.

Contrário ao Islã político, Haftar ainda não conseguiu avançar sobre Trípoli, mas recrudesceu os ataques nesta semana. A situação se agravou na última quarta-feira (3), quando um bombardeio das forças do general matou dezenas de pessoas - as estimativas variam de 40 a 100 vítimas - em uma prisão de migrantes em Trípoli.

"Apesar dos apelos da comunidade internacional, as partes adversárias não estão demonstrando disponibilidade para interromper o conflito militar. Acreditamos que a prioridade seja parar o derramamento de sangue, que poderia provocar uma guerra civil de larga escala", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

O governo Sarraj, também reconhecido pelas Nações Unidas (ONU), estuda libertar todos os migrantes presos em centros de detenção na Líbia, o que poderia dar novo combustível à crise migratória no Mediterrâneo.

Segundo o Ministério do Interior do país, garantir a segurança dessas pessoas, em sua maioria originárias da África Subsaariana, está "além da capacidade do governo". A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que esses campos abriguem de 6 mil a 7 mil indivíduos, sendo 3 mil deles em Trípoli. (ANSA)

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