Dois novos barcos de migrantes desafiam Salvini na Itália

Embarcações desafiaram o ministro e entraram nas águas da Itália

Dois novos barcos de migrantes desafiam Salvini na Itália (foto: ANSA)
19:28, 06 JulROMA ZCC

(ANSA) - A chegada de mais dois barcos de resgate de imigrantes na ilha de Lampedusa tem provocado mais um embate entre o vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, e as ONGs que salvam vidas no mar Mediterrâneo.

Na manhã deste sábado (6), o navio "Alan Kurdi", da ONG alemã Sea Eye, com 65 imigrantes a bordo, e o veleiro "Alex", da ONG Mediterranea, com 41 migrantes, chegaram em águas territoriais italianas.

"A ilha italiana é o porto europeu mais próximo, de onde os resgatados podem ser levados para um lugar seguro e a lei internacional exige isso", disse em comunicado a ONG Sea Eye.

Ontem, a tripulação do Alan Kurdi recusou a oferta da Guarda Costeira da Líbia para atracar no porto de Sawija, sob a alegação de que o país "não é um lugar seguro".

No entanto, o governo de Malta chegou a anunciar que receberia os 65 imigrantes em troca da transferência de um número equivalente para a Itália, mas a ONG afirmou que a viagem até La Valeta colocaria em risco a segurança das pessoas. Desta forma, o porto de Lampedusa seria o único local seguro para o desembarque.

"Com 65 pessoas resgatadas a bordo, estamos indo para Lampedusa. Não somos intimidados por um ministro do Interior, mas estamos indo para o porto seguro mais próximo. A lei do mar se aplica, mesmo quando algum representante do governo se recusa a acreditar", rebateu a Sea Eye, no Twitter, após Salvini proibir a embarcação de atracar.

Por outro lado, 41 migrantes aguardam o desembarque do veleiro Alex, da ONG italiana Mediterranea, que, escoltado por um navio da Guarda de Finanças da Itália, atracou no cais do porto de Lampedusa, desafiando as políticas do líder de extrema direita.

Na última quinta-feira (4), 54 pessoas foram resgatadas da Líbia e, um dia depois, 13 tiveram que ser retiradas do Alex por razões médicas. Devido as más condições, a ONG chegou a pedir para desembarcar o grupo também em Lampedusa, mas obteve recusa.

Salvini endureceu as políticas migratórias do país e se tornou a figura mais popular do governo, embora já tenha sido acusado de sequestro e abuso de poder ao bloquear navios de migrantes na costa italiana.

Na semana passada, ele se envolveu em outra polêmica com o navio humanitário alemão da ONG Sea Watch, após a comandante Carola Rackete infringir as leis italianas e forçar a entrada de sua embarcação no porto de Lampedusa, com 40 imigrantes. (ANSA)

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