Marinha italiana salva migrantes, mas Salvini veta desembarque

Vice-premier quer acordo com países da UE para distribuição

Marinha italiana salva migrantes,mas Salvini veta desembarque
Marinha italiana salva migrantes,mas Salvini veta desembarque (foto: ANSA)
19:46, 26 JulMILÃO ZCC

(ANSA) - O vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, anunciou nesta sexta-feira (26) que impedirá o desembarque de 140 migrantes que estão a bordo de embarcações da Guarda Costeira italiana desde a última quinta-feira (25) até que haja um acordo com países da União Europeia (UE) para a sua distribuição.

"Não darei nenhuma permissão para desembarcar até que o compromisso concreto de receber todos os imigrantes a bordo do navio chegue da Europa. Vamos ver se as palavras serão seguidas de fato. Eu não desisto", escreveu no Twitter.

O líder da extrema direita ainda ressaltou que manterá seus portos fechados até que haja "um nome, sobrenome e endereço dos países que desembarcarão esses imigrantes". No entanto, até o momento, nenhum país europeu se pronunciou sobre a polêmica.

Ontem (25), a Marinha da Itália resgatou migrantes e refugiados que estavam a bordo de várias embarcações à deriva no Mar Mediterrâneo, além de receber cerca de 50 pessoas que já haviam sido recuperadas pelo barco italiano "Accursio Giarratano", quando estavam em águas internacionais próximo a Malta, país que também se recusou a acolhê-los.

A Comissão Europeia, por sua vez, informou que "nesta manhã recebeu um pedido da Itália para desempenhar um papel de coordenação ativa para facilitar o desembarque dos migrantes resgatados, atualmente a bordo da guarda costeira italiana Gregoretti".

De acordo com um porta-voz da UE, "como tem sido feito em muitos casos semelhantes no passado, Bruxelas fará agora contato com os Estados-Membros".

Apesar do fechamento dos portos italianos e do endurecimento da política migratória por parte de Salvini, diversas embarcações continuam chegando, sobretudo à ilha italiana de Lampedusa.

Entretanto, desta vez, o novo capítulo da batalha que o vice-primeiro-ministro está conduzindo contra migrantes não atinge apenas os navios das ONGS, mas também os da Guarda Costeira Nacional. "Dei ordens para que nenhum porto os receba antes de se acertar a distribuição por toda a Europa dos 140 migrantes a bordo", afirmou.

Salvini tem recusado o desembarque de imigrantes resgatados por navios humanitários, alegando que esse resgate tem estimulado o tráfico de pessoas. Com isso, o governo italiano tem pressionado outros Estados-membros da UE a acolher os refugiados.

No último dia 23 de julho, inclusive, pelo menos 14 países da UE deram aval para a criação de um "mecanismo de solidariedade" de repartição dos migrantes. A iniciativa foi apresentada pela França e Alemanha durante reunião em Paris.

A Itália, porém, não participou da reunião que Salvini a classificou como "um erro de forma e substância". O italiano ainda ressaltou que seu país "não é dama de companhia de ninguém e não obedece a nenhuma ordem", após receber críticas do presidente francês, Emmanuel Macron. (ANSA)

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