'Avalanche' de Salvini derruba hegemonia da esquerda na Itália

O mapa italiano trocou o vermelho pelo azul da Liga

Matteo Salvini coleciona vitórias desde março de 2018
Matteo Salvini coleciona vitórias desde março de 2018 (foto: ANSA)
15:48, 29 OutSÃO PAULO Por Lucas Rizzi

(ANSA) - Matteo Salvini não alcançou o objetivo de forçar a convocação de eleições parlamentares antecipadas na Itália, mas sua popularidade e sua capacidade de mobilização continuam intactas.

A vitória avassaladora na Úmbria no último domingo (27) é apenas mais um de uma série de triunfos colecionados pelo ex-ministro do Interior desde 4 de março de 2018, quando ele assumiu a liderança da coalizão de direita.

Até então, a aliança conservadora era encabeçada pelo moderado Força Itália (FI), do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que tinha a reboque os partidos de extrema direita Liga, chefiado por Salvini, e Irmãos da Itália (FdI), de Giorgia Meloni, também em ascensão.

Naquele 4 de março de 2018, a Liga obteve pouco mais de 17% dos votos e desbancou o FI (14%) dentro da coalizão de direita. Na época, o mapa da Itália era praticamente todo vermelho: das 20 regiões do país, o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, estava no poder em 14.

Além disso, a legenda social-democrata apoiava os presidentes das províncias autônomas de Trento e Bolzano, que formam a região de Trentino-Alto Ádige. As exceções eram Ligúria, Lombardia, Sicília e Vêneto, nas mãos da coalizão de direita; e o Vale de Aosta, região do extremo-norte historicamente comandada por forças autonomistas restritas ao âmbito regional.

Avalanche azul

Após as eleições de 4 de março de 2018, Salvini se aliou ao populista Movimento 5 Estrelas (M5S) em um governo que duraria até agosto deste ano, mas manteve durante todo esse período a coalizão com Força Itália e Irmãos da Itália em disputas regionais.

Desde então, sete regiões governadas pelo PD foram às urnas, e a coalizão conservadora venceu em todas, catapultada pela ascensão de Salvini. A Liga, alçada ao posto de partido mais popular do país, triunfou em Friuli Venezia Giulia (Massimiliano Fedriga) e na Úmbria (Donatella Tesei). O FI elegeu os governadores de Basilicata (Vito Bardi), Piemonte (Alberto Cirio) e Molise (Donato Toma). Já o FdI ascendeu ao comando de Abruzzo (Marco Marsilio), enquanto Christian Solinas, de um partido regional, venceu na Sardenha.

Salvini exerceu papel preponderante em todas essas conquistas, tendo promovido uma intensa agenda de comícios para atrelar seu nome aos candidatos da coalizão conservadora e dar um caráter nacional às eleições regionais.

A última delas, na Úmbria, ainda teve um sabor especial: em uma região historicamente de esquerda, a postulante da Liga, Donatella Tesei, derrotou uma inédita aliança eleitoral entre M5S e PD, que se juntaram unicamente para frear o avanço do ex-ministro do Interior.

A Liga também tirou da esquerda o governo da província de Trento (Maurizio Fugatti) e passou a apoiar o governador de Bolzano, Arno Kompatscher. Além disso, governou brevemente o Vale de Aosta, entre junho e dezembro de 2018, até perder sua maioria no Legislativo regional.

Hoje o PD se mantém no poder na Emilia-Romagna, em Marcas e na Toscana, históricos bastiões "vermelhos" no centro-norte da Itália, além de Calábria, Campânia e Puglia, no sul, e do Lazio, governado pelo secretário do partido, Nicola Zingaretti.

Dessas sete regiões, seis vão às urnas em 2020, e o palco da próxima batalha já está definido: Emilia-Romagna, em 26 de janeiro. "Pela primeira vez em 50 anos, a partida está aberta. O PD sempre considerou a Emilia e a Romagna como suas, mas elas são de todos. Já estou com a cabeça em Bolonha, onde, em 14 de novembro, abriremos a campanha eleitoral", disse Salvini após a vitória na Úmbria, já pensando em uma conquista que confirmaria a hegemonia da Liga na Itália. (ANSA)

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