Político diz que denúncias de violência contra mulher são "falsas" e gera polêmica na Itália

Declaração foi dada por Umberto La Morgia, vereador da cidade de Casalecchio di Reno, na província de Bolonha

Político diz que denúncias de violência contra mulher são
Político diz que denúncias de violência contra mulher são "falsas" e gera polêmica na Itália (foto: ANSA)
15:12, 26 NovROMA ZBF

(ANSA) - Um conselheiro municipal do partido de extrema-direita Liga Norte provocou polêmica na Itália ao afirmar que "90% das denúncias" de violência contra a mulher são "falsas".

"Noventa por cento das denúncias de violência contra mulheres são falsas ou são arquivadas pelos promotores e tribunais. Mas isso não vira notícias", disse Umberto La Morgia, vereador da cidade de Casalecchio di Reno, na província de Bolonha.
   

O comentário foi publicado no Facebook, por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado ontem (25). "A violência não tem sentido", escreveu. "Se quisermos falar verdadeiramente de paridade de oportunidades, gostaria de apresentar que também existe a violência das mulheres contra os homens, frequentemente pouco reconhecida, pouco condenada e pouco debatida", disse o político da Liga Norte.

Segundo ele, essa violência se manifesta "não só fisicamente, mas através de alienação parental (a destruição da relação pai-filho por parte da mãe) e as milhares de denúncias falsas que as mulheres usam para terem vantagem em cima dos homens em separação civil". A postagem foi imediatamente rejeitada por outros políticos italianos, como Alice Morotti, do esquerdista Partido Democrático (PD). "São palavras inaceitáveis, é uma loucura", criticou.
   

Diante da polêmica, La Morgia deletou o texto e se desculpou. Ontem, um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (Istat) da Itália mostrou que um a cada quatro italianos acredita que uma mulher pode sofrer m estupro devido às roupas que usa. Além disso, 39,3% das pessoas responderam que uma mulher pode escapar de um estupro "se realmente não quiser" ser violentada.
   

A Itália registrou 142 feminicídios em 2018, número 0,7% maior que no ano anterior, e acumula 94 nos primeiros 10 meses de 2019. No ano passado, 40,3% das vítimas de homicídio no país eram mulheres, maior percentual da história. (ANSA)

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