Itália muda critério para contar casos de coronavírus

Autoridades contabilizarão apenas situações mais graves

Equipe de pronto-socorro em frente ao Hospital de Pádua, norte da Itália: a província é um dos focos da epidemia de coronavírus no país
Equipe de pronto-socorro em frente ao Hospital de Pádua, norte da Itália: a província é um dos focos da epidemia de coronavírus no país (foto: )
09:18, 28 FevROMA ZLR

(ANSA) - Após a discussão sobre a estratégia adotada na Itália de examinar inclusive pessoas saudáveis em busca do novo coronavírus (Sars-CoV-2), as autoridades do país decidiram contabilizar apenas os casos mais graves.

A medida tem como objetivo concentrar a atenção em quem realmente precisa de tratamento, mas também causará impactos no balanço da epidemia na Itália. Desde a semana passada, as autoridades sanitárias examinaram mais de 10 mil pessoas, a maioria delas assintomáticas, o que fez explodir o número de casos.

Segundo o balanço divulgado na noite de quinta-feira (27) pela Defesa Civil, 650 indivíduos testaram positivo para o Sars-CoV-2, e 17 morreram com o novo coronavírus, porém a maioria sofria de outros problemas de saúde.

Depois dessa primeira etapa, as autoridades decidiram examinar apenas quem apresenta sintomas, esteve em contato com uma pessoa infectada ou passou por áreas de risco. "A vantagem é pragmática, uma vez que se evita lotar estruturas de pronto-socorro e hospitais", disse o virologista Francesco Broccolo, da Universidade Bicocca, de Milão.

Por sua vez, o Instituto Superior da Saúde (ISS), órgão também subordinado ao governo nacional, diz que o número de casos certificados é de 282, menos da metade dos 650 anunciados pela proteção civil.

Alessandro Vespignani, físico especializado em sistemas complexos e diretor do Instituto de Redes de Ciências da Universidade do Nordeste, de Boston (EUA), tem opinião semelhante. "Com os novos critérios de notificação, o número de casos, que vimos crescer nos últimos dias, ficará menor porque não se identificará mais quem tem o vírus e não tem sintomas", explicou.

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda exames apenas em pessoas sintomáticas que tenham tido contato com indivíduos ou áreas de risco. No entanto, segundo Vespignani, é preciso lidar com o fato de que "se perderá algo sobre o tamanho da epidemia".

Enquanto isso, a Itália segue à caça do "paciente zero" do novo coronavírus no país. A suspeita é de que a epidemia tenha dois focos, um na província de Lodi (Lombardia) e outro na de Pádua (Vêneto), mas não se exclui que ambos estejam interligados.

"A presença de mais focos indicaria que a epidemia começou em lugares diferentes e, portanto, é mais difícil de controlar e isolar", explicou o físico.

Contraprova

Outro motivo de discordância é o procedimento para confirmar um caso do novo coronavírus na Itália Para o ISS, que tem sede em Roma, o contágio só pode ser certificado após a análise das amostras dos pacientes em seus laboratórios, o que exige alguns dias.

Até então, no entanto, os governos regionais informavam à Proteção Civil resultados positivos antes da contraprova do Instituto Superior da Saúde - o sistema sanitário italiano é descentralizado, com cada região seguindo diretrizes próprias. Isso explica a diferença de números entre a Proteção Civil e o ISS.

"Os casos verdadeiros são aqueles confirmados 100% pelo ISS", disse Walter Ricciardi, membro italiano do comitê-executivo da OMS e conselheiro do ministro da Saúde Roberto Speranza. (ANSA)

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